Publicado por: Pastor Elvis | 18 novembro, 2008

FUNDAMENTOS DO MINISTÉRIO PÚBLICO

18/11 a 24/11/2008 – Post 04

“E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas,
 outros para evangelistas e outros para pastores e mestres” Ef 4.11 (ARA)

Olá queridos irmãos,

Quais são as diferenças de funções do pastor em relação aos demais membros?

Em que sentido todo o crente deve agir pastoralmente?

Um cristão, que não tem chamado, pode perdoar pecados, batizar, ensinar e administrar a Santa Ceia? Podemos colocar todas estas ações na mesma pergunta?

 
“Melhor do que dar o peixe é ensinar a pescar” é o que se ouve por aí e a frase se aplica bem neste contexto. Vejamos alguns tópicos importantes sobre o ministério para que assim estas e outras questões possam ser debatidas (ou respondidas) com base na Bíblia.

INSTITUIÇÃO
Primeiramente é fundamental reconhecermos que o Ministério Público (eclesiástico… claro) é instituição divina. Uso as palavras de John Theodore Mueller que diz que este ensino decorre:

a) da praxe dos apóstolos (At 14.23) e de sua ordem aos seus sucessores que ordenassem presbíteros ou bispos (Tt 1.5), de sorte que regularmente se designavam ministros ou pastores em todos os lugares em que fossem estabelecidas igrejas locais (At 20.17,18);

b) da descrição dos requisitos pessoais dos ministros públicos (1Pe 5.3; 1Tm 3.2-7);

c) da descrição de suas funções e deveres (Tt 1.9-11; 1Tm 3.5; At 20.28,31; Hb 13.17);

d) da distinção que a Escritura faz entre os presbíteros ou bispos e todos os demais crentes (1Co 12.28,29);

e) da honra e dignidade que se atribuem a todos os que ensinam oficialmente a Palavra (Hb 13.7; 1Co 4.1).

MUELLER, John Theodore. Dogmática Cristã; Um manual sistemático dos ensinos bíblicos. 4 ed. Porto Alegre: Concórdia; Canoas: ULBRA, 2004. p.528

RESPONSABILIDADE DE TODOS
Como vimos acima o ofício do pastor é instituição divina.
A função específica do pastor é o ensino da Palavra de Deus e a administração dos sacramentos em âmbito público bem como a supervisão do ensino e administração dos sacramentos.
A pergunta chave é:

De onde vem esta autoridade?

A primeira resposta que pode nos vir à mente é “de Deus”. Não deixa de estar certo. Entretanto é importante lembrar que esta autoridade não vem diretamente de Deus para o pastor. Esta autoridade vem até o pastor através dos cristãos, pois primeiramente Deus concedeu aos cristãos o Ofício das Chaves. Os cristãos receberam de Deus o dever e privilégio de perdoar pecados, pregar a Palavra de Deus, batizar, consagrar a Santa Ceia e participar dela.

“Mas vocês são a raça escolhida, os sacerdotes do Rei, a nação completamente dedicada a Deus, o povo que pertence a ele. Vocês foram escolhidos para anunciar os atos poderosos de Deus, que os chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz” 1Pe 2.9 (NTLH)

Os cristãos são Sacerdotes do Rei e, portanto, os deveres e privilégios pertencem a todos os cristãos. E é por isto que o apóstolo Paulo diz:

“Portanto, ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso” 1Co 3.21 (ARA)

Tudo é dos cristãos.
Deus também deseja que tudo seja feito com ordem e descência.
Deus estabeleceu o Ministério Sacerdotal Público e deu para cada congregação local o direito e dever de chamar um (ou mais) pastor(es).
Embora tudo seja dos cristãos negligenciar o ministério público e desprezá-lo é ir contra a vontade revelada de Deus e, conseqüentemente, contra a própria Palavra de Deus.

Então, a validade da pregação e da administração dos Sacramentos está no chamado do pastor?

Não. A validade está sempre na Palavra de Deus – em suas promessas. O indivíduo (pastor ou não) não dá mais credibilidade, validade ou eficácia a Palavra ou Sacramentos (inclusive independente de sua fé). O fato de ter um chamado não torna as suas palavras mais divinas do que as palavras de qualquer outro (que não é pastor), quando estas são baseadas na correta compreensão da Palavra de Deus (evidente).

TIRANDO CONCLUSÕES
Poderíamos escrever muito sobre a fundamentação teológica do Ministério Pastoral Público, mas o que vimos até aqui (seja isto novidade ou não) nos permite tirarmos incontáveis conclusões.

Fique a vontade para questionar, perguntar, relatar, testemunhar, etc.

As perguntas acima podem ser respondidas (ou debatidas) com base no fato de que tudo é dos cristãos, mas Deus deseja que a pregação pública e administração dos sacramentos seja feita através de um pastor chamado pela congregação. Este pastor age em nome dela e é o responsável pela supervisão e ensino da Palavra de Deus.

O que é ordinariamente responsabilidade de todos?

Com “ordinariamente” quero dizer “tirando as exceções”.
Todos os crentes são Sacerdotes Reais com o propósito de proclamar as virtudes de Deus, ou seja, evangelizar (1Pe 2.9).
Todos os cristãos são perdoados de seus pecados, motivados pelo amor de Deus e capacitados pela ação do Espírito Santo a agirem em amor ajudando os necessitados – agir diaconalmente (Gl 6.10).
Lutero responde esta pergunta da seguinte forma:

“Apenas nos tornamos cristãos por meio deste Sacerdote (Cristo) e do seu sacerdócio e, no Batismo, fomos pela fé nele enxertados, e já recebemos o direito e poder para ensinar e professar diante de todos a Palavra que dele temos, cada um segundo a sua vocação pública. Ainda assim, deve e pode cada cristão ensinar, instruir, admoestar, consolar, repreender com a Palavra de Deus a seu próximo quando e onde alguém o necessitar, tal como o pai e a mãe aos filhos e criados, um irmão, vizinho, cidadão ou camponês ao outro. Portanto um cristão bem pode instruir e admoestar com os Dez Mandamentos, o Credo, a Oração, etc., ao outro, que ainda é ignorante ou fraco, e quem o ouve tem a obrigação de também aceitar as instruções dele como Palavra de Deus e juntamente dar disto profissão pública”. Idem, p.527 e 528

E o que o cristão pode fazer excepcionalmente?

Resumindo o ensino bíblico demonstrado por Stroebel, cito novamente a Dogmática:

“Cada cristão batizado, na qualidade de sacerdote espiritual, assiste o direito divino (em certas circunstâncias, até mesmo, o inelutável dever) de pregar a Palavra de Deus ao próximo, de administrar os sacramentos, de lhe perdoar os pecados, de impor as mãos, etc., mas que só deveria exercer esse direito em caso de necessidade, em virtude da ordem estabelecida por Deus, da qual ele se agrada”. Idem, p.530

Ou seja, até mesmo as funções específicas do pastor podem ser realizadas pelo cristão em geral. Havendo necessidade.
No trato individual cada cristão é um pastor.
No trato público existe uma pessoa que o faz em nome da congregação (e em última análise em nome de Deus).

O batismo de emergência é um exemplo de situação excepcional onde o cristão deve fazer o batismo e ele será sempre válido (desde que feito como Jesus ordenou – com água e em nome do Deus Triúno).

Deixo algumas perguntas para debatermos:

O cristão que não é pastor pode ensinar na Igreja?

O cristão que não é pastor pode batizar na Igreja?

O cristão que não é pastor pode instituir a Santa Ceia?

O pastor, com o aval da congregação, pode designar tarefas de ensino a outros membros?

A congregação pode escolher pessoas para batizarem publicamente?

Um grande abraço,
PE


Responses

  1. Gostei muito do texto e do tema!

    Aqui em nossa congregação estamos temporariamente sem pastor, então o texto veio bem a calhar.. Vai ajudar bastante!

    Bom, já que foram esclarecidas tantas coisas, acho que gostaria de sugerir algo..
    Como já foi debatido em um post anterior, muitas vezes o trabalho na igreja fica quase todo nas mãos do pastor.. Com isso, os membros não “aprendem” (não têm a prática) a distribuir a Ceia ou anunciar o perdão dos pecados, por exemplo.. E como dito no texto, em casos excepcionais (como é o nosso) é até mesmo DEVER do cristão não-pastor o fazer.. Será que não poderia se pensar em um “curso de capacitação” de lideranças, com relação às atividades pastorais? Existe algo assim?

  2. Olá Miguel,
    Não sei se existe a n;ivel de IELB este curso de capacitação (talvez o curso de diaconia do seminário, que agora pode ser feito por EAD), mas em nossa antiga congregação, Horizontina, o pastor mesmo treinou uma equipe para isso, eram chamados de diáconos, eles auxiliam na Santa Ceia, dão cultos de leitura, estudo bíblicos, e na falta do pastor já fizeram até enterro. Para entrar neste grupo, é feita uma consulta ao pastor e diretoria. Todos devemos ser cristãos atuantes na igreja, mas muitas vezes as pessoas se sentem despreparadas para realizar um culto na falta do pastor, por exemplo, então acho legal a congregação se preocupar com isso e capacitar algumas pessoas.
    Até mais,
    Daniela.

  3. Realmente! Não estamos preparados para exercer essas atividades na igreja. Somos tímidos até para fazer uma oração num grupo, ou junto com alguém que precise… Não estudamos a Bíblia de forma adequada, muito menos estudamos a doutrina… Fiquei mto feliz quando em contato com o pastor Raul Blumm descobri que podemos fazer o curso de diaconia a distância. Conversei com o pastor e alguns diáconos aqui da congregação de Palmas e estamos nos organizando para fazer uma turma. Precisamos ter mais pessoas preparadas e dispostas ao trabalho pelo Reino de Deus…entao, mãos à obra. Vamos nos dedicar! Esse é um ótimo artigo para discutirmos em algum grupo de estudos, na juventude, ou em outra situação nas nossas igrejas!

  4. Olá Miguel, Daniela e demais amigos do Reflete,

    Legal as colocações de vocês. Também vou compartilhar nossa realidade.

    Aqui em nossa congregação em Guarapuava temos pessoas treinadas e autorizadas (pela congregação) para auxiliarem na Santa Ceia, mas apenas os pastores consagram os elementos, ao passo que os auxiliares ajudam na distribuição. Optamos por esta metodologia basicamente por dois motivos: 1) Não julgamos que haja, em nosso caso, uma excepcional necessidade de que leigos consagrem os elementos da Santa Ceia; 2) Existe um parecer da CTRE (Comissão de Teologia e Relações Eclesiais) onde se sugere que a consagração dos elementos não seja feita por leigos e sim por pastores.

    Talvez, se mais pessoas julgarem interessante, poderemos trazer partes importantes deste parecer da CTRE para debate. É possível que em um primeiro momento nos parece antagônico o fato de a Bíblia “permitir” algo que a Igreja “desaconselha”. Mas, veja os verbos que usei. Em primeiro lugar a Bíblia não ordena, em segundo lugar a Igreja não proíbe sob pena de exclusão.

    No caso de sua congregação, Miguel, no que diz respeito a consagração dos elementos da Santa Ceia por leigos que estão sem pastor precisamos observar:

    1) A fundamentação bíblica (que foi o que já vimos);

    2) A conveniência;

    3) As práticas de ordem da denominação (ou congregação local – regimentos, estatutos, etc);

    Quanto ao item 1 não há dificuldades.

    Quanto ao item 2 precisamos ter um certo cuidado. O apóstolo Paulo disse que tudo lhe era lícito, mas que nem tudo convinha. Até onde a prática de consagração da Santa Ceia por leigos poderia causar polêmicas na congregação? Existe a possibilidade de pessoas se escandalizarem (caírem da fé)? Lembremos o caso de Lutero… depois que ele tinha plena convicção de que a Santa Ceia deveria ser administrada tanto com pão como com o vinho (já que os cristãos não recebiam o vinho) ele pregou e ensinou sobre a Santa Ceia durante dois anos até que pudesse introduzir o vinho sem prejuízo de fé por parte dos mais fracos. Não conheço a realidade da sua congregação, mas existem casos em que seja melhor se privar temporariamente da importante Ceia do Senhor do que derrubar irmãos na fé que ainda não estão convencidos pela Palavra. Existem outros pontos que se devem considerar quanto a ser ou não conveniente esta prática, mas julgo que este seja o principal.

    Quanto ao item 3 precisamos nos lembrar que fazemos parte de um Sínodo. Eu sei que existe um pouco de incoerência (ou talvez só confusão) quanto ao fato de sermos congregacionais em alguns pontos e sinodais em outros, mas nós somos a IELB, que é composta de várias congregações locais e possuímos estatutos, regimentos e regras que foram criadas com o objetivo de que houvesse uniformidade entre as congregações. Aqui entra o caso das congregações vacantes (na verdade é o cargo de pastor que está vacante). Na IELB uma congregação vacante passa a ser atendida interinamente pelo Pastor Conselheiro do distrito. Novamente… não sei quais são as distâncias das congregações em seu distrito e nem a disponibilidade do Conselheiro distrital de vocês. Já que existe esta ordem estabelecida, ou seja, já que existe um pastor chamado por uma congregação irmã, da mesma denominação, que presta atendimento e supervisiona temporariamente a congregação vacante, é conveniente e correto que o Pastor Conselheiro seja consultado neste caso. Se o pastor Conselheiro aprovar a idéia e a congregação julgar que isto seja correto, vão em frente. Caso contrário diga para seus queridos em Cristo que Deus Espírito Santo continua agindo através da Palavra. Ou seja, embora muito importante, a Santa Ceia não é o único meio da graça.

    Espero estar ajudando na reflexão.
    Em Cristo,
    PE

  5. Olá Luise e demais irmãos e irmãs,

    Esqueci de dizer antes… o curso de Diaconia em Educação Cristã é excelente! Vale a pena mesmo! Ele dará para vocês uma visão e compreensão bem mais ampla da teologia.

    Digo isto porque temos aqui em nossa congregação quatro pessoas que já fizeram o curso (três como ouvintes e uma que já tem a “carteirinha”) e temos mais duas pessoas fazendo o curso de DEC. Posso lhe dizer que estas pessoas são líderes muito importantes para o crescimento do Reino de Deus aqui porque além da motivação que o Espírito Santo concede elas agora possuem um conhecimento teológico que permite que assumam trabalhos de forma mais autônoma.

    Parabéns pela motivação e que Deus abençoe a participação de vocês.

    Abraços,
    PE

  6. Olá pessoas,

    O texto do pastor Elvis foi bastante esclarecedor.
    É verdade…

    … e precisamos prestar muita atenção às palavras que foram utilizadas.

    Vou começar detonando um pouco algumas coisas:
    – CTRE???
    É uma parecer, um conselho. Ela não é superior à Palavra ou ao bom senso da cultura cristã local de cada congregação;

    O que quero dizer com isso?
    Não é a CTRE ou o pastor conselheiro do distrito que devem concordar e liberar a congregação para decidir se um leigo preparado no grupo pode ser indicado para ministrar a Santa Ceia, especialmente, quando no exemplo bíblico, até mesmo um prosélito (um recém convertido) foi eleito para esse fim (Atos 6.5). A Santa Ceia é coisa simples mas importante para ser deixada de lado.

    Na minha opinião, fazermos da consagração algo que pode derrubar pessoas da fé, gera mais medo apenas da consagração! “ai, eu posso errar tudo! Confundir as coisas! Ou ser pecador demais para isso!”

    Somos pouco evangélicos nessa área!
    Especialmente quando estamos sem pastor ou em necessidade de um…

    … sinceramente, se o pastor conselheiro não pode atender a congregação, reúnam-se em assembléia, orientem-se na Palavra, escolham alguém cheio do Espírito (Atos 6.3), e preparado para dizer aos presentes no culto regular: “escolhido em assembléia, eu lembro as palavras de Paulo em ‘1 Coríntios 11.23-26′”, e manda ver.

    É claro que a assembléia não deve ser assustada com o mito da consagração… ‘cuidado para não derrubar pessoas da fé!” Mas deve ter o cuidado de saber que as pessoas presentes nesses cultos sejam instruídas na Palavra de modo suficiente para saber que o poder não está no pastor.

    Aliás, esse medo de escândalo, demonstra como nosso ensino é fraco! Pois se temos medo de derrubar pessoas da fé é porque elas estão tão mal instruídas que em sua maioria ou algumas delas acham que o poder está no pastor.

    Que as coisas sejam feitas com cuidado, mas sem medo! Sem condenação! E no poder da graça e da Palavra, do evangelho, concedidos aos cristãos.

  7. Eu não sei grego.
    Não sei Hebraico, aramaico… latim, não estudei no seminário, não fiz o curso de diaconia… mas se me convidarem para profetizar, pregar a Palavra para uma congregação sem pastor, eu aceitaria.

    Com muita humildade eu aceitaria.

    não exatamente tal e qual faziam os cristãos do primeiro século que, erradamente, praticamente disputavam o espaço para profetizar… até as mulheres profetizavam com a cabeça descoberta, mas poderiam profetizar se a cobrissem ou raspassem (1 coríntios 11.1-16). Talvez melhor não entrar na discussão do exclusivismo masculino para o ministério.

    no meio dessa bagunça de profetização,entra Paulo que falou em fazer as coisas com ordem e decência (1 Coríntios 14.40).

    Vejo que assim como Paulo separou os dons entre aqueles que foram estabelecidos como apóstolos e outros como mestres, no texto indicado pelo pastor Elvis (1 Coríntios 12:28-29) sobre a distinção do ofício pastoral, ali também temos distinto do ofício do pastor, operadores de milagres, curas, socorros, governos, línguas…

    … e eu pergunto: onde estão as línguas? onde estão os apóstolos? onde estão os governos quando os próprios pastores se colocam sobre a diretoria? onde estão os operadores de milagres?

    Lembrando que em “Efésios 4.11” pastores e mestres estão conectados… mas como está em “1 Coríntios 12:28-29”, como vimos, nem todos os pastores são mestres.

    O pastor pode então designar essa tarefa para outros com o aval da congregação? (Como perguntou o pastor Elvis.)

    Eu acho que a congregação pode designar, mesmo sem o aval do pastor… mas é bom que todos, ou a maioria concorde nessa área. E que o pastor ensine os ensinadores da congregação.

    Ainda pergunto:
    O que é emergência? Fala sério!
    Dogmatizamos alguns conselhos a tal ponto que a emergência é o que devolve o poder à Igreja.

    Isso precisa ser desmistificado.
    Essa palavra precisa cair pois ela causa confusão, restringe a Palavra, o poder de Deus, e transforma os leigos em medrosos.

    Enfim… acho que a introdução do assunto foi muito bem colocada pelo pastor Elvis. Mas precisamos perder um pouco alguns medos, aqueles que foram impostos pela tradição e não pela Palavra.

    .abraços.

  8. Como é mesmo que a lei de Deus pode ser resumida?

    Amor?

    Amem a Deus e amem também o próximo.

    Não estranhem em eu falar de lei ao invés de evangelho, mas a questão diz respeito ao uso da liberdade cristã.

    Consagrar ou não consagrar? São vocês que precisam decidir. Mas, a decisão não deve ser feita a base de ferro e fogo e sim com base no amor.

    Vou sugerir uma bibliografia que ajuda a compreender a questão do uso da liberdade cristã:

    LUTERO, Martinho. “Da Liberdade Cristã.” In: Obras Selecionadas; O Programa da Reforma / Escritos de 1520. Porto Alegre: Concórdia / São Leopoldo: Sinodal, 1989. v.2.

    Sobre a questão de ter medo ou não… que tenham medo os que não se importam com o fraco na fé. Ou será que também não está na Bíblia?:

    “Qualquer, porém, que fizer torpeçar a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar.” Mt 18.6

    Acho que Jesus não queria assustar ninguém, talvez ele só se expressou mal…? Convenhamos!

    O ministério é de vocês.

    Precisamos evoluir na reflexão sobre este ponto? Então vamos fazer isto.

    Existem pastores que querem ser rei?

    Também existem congregados que o querem ser (não como congregação, mas como indivíduo).

    Vamos combater o erro sem cometer outros. Neste ponto precisamos entender que o cristão é livre para “servir”… por isto, olhe para o irmão que está ao seu lado. Veja se ele compreende a verdade. Se ele ainda não está convencido, então ajude-o a chegar lá… não force-o. Quem age contra a consciência também está pecando.

    Vejam o que os camponeses e os iconoclastas fizeram com as palavras de Lutero.

    Na época de Paulo não haviam os que comiam carnes oferecidas à ídolos? Eles estavam errados diante da Palavra de Deus? O que diz Paulo?

    Quantas atrocidades já não foram feitas, em nosso próprio país, empunhando uma Bíblia na mão.

    Eu só peço que se converse antes para que as pessoas sejam convencidas pela Palavra e não pela força. Não estou pedindo nada além daquilo que o bom senso manda.

    Sejam corajosos… sim… intrépidos inclusive, mas coloquem o amor na frente na coragem. Caso contrário seria melhor seguir literalmente o conselho de Jesus.

  9. OPAAA
    Espero que não tenha entendido alguma coisa que falei de forma errada, pastor Elvis, especialmente se ofendi pessoalmente você com a minha opinião.

    Quando falo que precisamos perder “um pouco alguns medos” ou que “dogmatizamos alguns conselhos a tal ponto que a emergência é o que devolve o poder à Igreja”, não estou falando dos outros, de mim apenas, ou de você e de sua muito oportuna reflexão. Mas estou falando de nosso contexto de igreja… que carrega ainda toda uma carga do passado.

    Não falei e jamais falarei em ignorar os fracos na fé… mas veja as minhas palavras:

    (…) “reúnam-se em assembléia, orientem-se na Palavra, escolham alguém cheio do Espírito (Atos 6.3), e preparado”. E isso não é distorcer a Palavra ou ‘dar uma de camponês ou iconoclasta”.

    Estou refletindo sobre uma possível e demasiada prudência… não com ares de prudência mas com ares de medo. Imagine se Paulo, ao falar sobre os dons, sobre serviço, sobre a SC celebrada, e sobre cada assunto da liberdade do serviço cristão, falasse também “cuidado para não derrubar os fracos da fé”!?!

    É claro que é preciso cuidado e amor em todo o trato, é praticamente assim que Paulo encerra seu tratado sobre os dons, com o famoso “1 Coríntios 13”. Mas vivemos amarrados em coisas importantíssimas para a igreja, como a Santa Ceia, e a pregação da Palavra, por medos de derrubar pessoas da fé. E esse reinado do medo dói!

    Não estou falando em oito nem oitenta.
    Mas hoje, estamos vivendo oito… onde somente pastores consagram, somente pastores são respeitados… leigos, não têm respeito e dificilmente terão a menos que:

    1. um pastor diga que ele merece respeito;
    2. ele vá para o seminário.

    Eu acho que diante disso, tem alguma coisa errada nessa situação.

    O exemplo positivo que você, pastor Elvis, deu sobre a sua comunidade em relação à distribuição da Santa Ceia, na minha opinião, poderia e deveria “evoluir” para a instrução da comunidade e dos diáconos para a consagração justamente para que se perca o medo, através do ensino e da prática. Não que isso seja feito sempre, mas algumas vezes no ano, quem sabe uma vez no mês.

    Que tal líderes de estudo preparados para ministrar o estudo e o partir do pão nas casas? Com instrução, cuidado, e amor tenho certeza de que é possível. Sem desmerecer ou diminuir em nada o valor do trabalho do pastor.

    A excepcional necessidade da Santa Ceia é diária. E, na minha, opinião, diminuímos as oportunidades de cear somente para os momentos em que um pastor estiver presente para consagrar.

    Certamente, existem pastores e leigos que adorariam reinar! Mas hoje, leigos não tem a menor chance de cair nessa tentação e pecar, somente os pastores.

    Tanto leigos quanto pastores pecam ao colocar o serviço como uma fonte de poder e de mandos e desmandos. Portanto, não falo de dar oportunidade para leigos serem reis, mas tirar um pouco da oportunidade dos pastores reinarem, distribuindo e devolvendo o poder ao Servo que lidera nossa liberdade cristã, não para derrubar os fracos da fé, mas para amá-los, ensiná-los, e servi-los, com certeza.

    Então, por favor, não me entenda mal.
    Mas entenda três questões no meio de tudo que estou dizendo:

    1. não falo como quem quer desrespeitar e passar um trator sobre o amor e o serviço;

    2. não falo em fazer as coisas com coragem sem nos importarmos com nosso próximo, seja ele fraco ou não na fé;

    3. falo que alguma coisa está errada na nossa igreja, especialmente porque ela parte das comunidades hoje, mas o ciclo é também sustentado por alguns pastores.

    Mas é claro que, nesse quesito, não precisamos concordar. E eu permaneço voz pública solitária, como se fosse um leigo querendo reinar no lugar onde hoje reinam alguns pastores. Eu sei que para muitos pode parecer isso mesmo!
    Sem problemas!

    Me sinto publicamente solitário. Mas em off, não tão solitário… por isso crio coragem e falo. Sem medo, pois não falo de forma pessoal com ninguém. Nem contra você, nem contra meu pastor, o pastor Martinho, ou contra algum outro leigo.

    OK?

    .abraços.
    .em Jesus.

  10. Rahel… Tenho que discordar de alguns pensamentos de vc. Vimos aqui mesmo no Reflete que a maioria dos cristão não leem a Bíblia em casa, por isso (principalmente) estão “por fora” do que diz as escrituras sagradas, por isso corre-se o risco dos fracos na fé caírem, por isso é que, na minha opinião, se torna inviável a Santa Ceia em casa, ela é fundamental sim, mas e a palavra? Na minha atual congregação as pessoas nem sabem como fazer uma correta reflexão antes da Ceia, imaginem consagrá-la, culpa de quem? Do pastor? Conheço várias congregações e pastores e digo que tem mais leigo rei do que pastor rei. O pastor está sendo tratado quase que como um funcionário da igreja, gente, ele é nosso guia espiritual, ele estudou pra isso, tem vocação, foi chamado e ordenado, e aí? Já presenciei várias cenas de leigos reis em congregação onde o pastor não tem nem casa pra morar. Concordo com vários pontos onde a congregação deve ser mais participativa, mas não podemos excluir nosso guia espiritual, mensageiro de Deus de nossas congregações, missões etc.
    Até mais,
    Daniela.

  11. Olá Rahel e demais irmãos,

    Também espero não ter lhe ofendido e se o fiz peço desculpas. O que escrevi não foi especificamente para ninguém, mas ao mesmo tempo para todos… para mim também.
    Você não me ofendeu, de forma nenhuma e em nenhum momento.
    Que Deus nos permita sairmos do 8 e não chegarmos até o 80.
    Entendo que existem algumas dificuldades que precisam ser trabalhadas e sou muito grato a Deus por termos pessoas em nossa Igreja, e em especial na JELB, dispostas a refletirem (sobre a) teologia.
    Tenho uma estima grande por você Rahel e pressuponho que outras pessoas também têm.

    No ano de 1959 a congregação onde sirvo hoje teve a idéia de sair de um bairro da cidade (Batel) e se instalar no centro. Poucos anos antes os congregados haviam construído a sua 1a capela no bairro Batel, sendo que a congregação iniciou em 1945. Em Janeiro de 1960 a Assembléia da congregação aprovou, por maioria de votos, a compra de uma área de terra no centro da cidade e a venda dos terrenos do Batel. O grupo que votou contra a compra estava muito apegado a estrutura construída no Batel. Evidente que isto não era argumento para se manter a sede em um bairro. Também não sei como foram feitas as tratativas na época, mas o pessoal do contra acabou saindo da Igreja. É possível que não houvesse o que se fazer, mas também é possível ter sido falta de diálogo.

    Talvez eu tenha escutado mais histórias de 80 do que de 8. Tomara. O importante é que o caminho seja sempre o diálogo em amor para que ação seja conseqüência.

    Abraços,
    PE

  12. Oi Daniela,
    pastor Elvis,
    e amigos do reflete,

    Bem… por onde começar?
    Pastor Elvis, acho que estamos indo pelo meso caminho… minimamente, o da reflexão.

    Cada um de nós, com as suas visões e tendências. A minha é de um filho de pastor, que já ouviu muito, de muita gente por aí (e falo de norte, nordeste, sul, sudeste, literalmente) sobre o pastorcentrismo da nossa igreja. E a coisa é apavorante. Por isso falo tanto sobre o assunto e volta e meia coisa na mesma questão.

    Lembrem-se que quando falo de pastorcentrismo, trato do assunto em um sentido amplo, ou seja, tanto dos membros (leigos-reis) que deixam tudo para os pastores como dos pastores que não dão espaço e liberdade para os membros. Ambos estão errados.

    A Daniela tem razão em denunciar que parte do problema está nos membros-REIs que acham que “pagam” para o pastor fazer tudo…

    … agora, veja, Daniela, que quando falei da importância do partir do pão em casa não dissociei da pregação e do ensino. Eu perguntei:
    “Que tal líderes de estudo preparados para ministrar o estudo e o partir do pão nas casas?”

    Ou seja, pastores preparam, com tempo, amor, carinho e cuidado, a congregação e lideranças para ministrarem os estudos bíblicos nas casas, nos pequenos grupos, e, com o tempo, também para ministrar a Santa Ceia – o partir do pão. Se não ficou claro isso, perdão.

    Eu concordo plenamente com você, Daniela, quando fala que conhece mais leigos-reis do que pastores reis, especialmente no sentido dos leigos-reis como aqueles que não sabem, não querem saber, e esperam que o pastor saiba e faça. Em número os leigos-reis são em maior número…

    … por outro lado, somos tão pastorcêntricos na IELB, que tanto pastores quanto leigos, tem dificuldade de aceitar que um leigo seja presidente da igreja. Ou seja, somente pastores estão suficientemente preparados para ser presidente da igreja. Isso é quase um papado… é um PAPE – pastor presidente. Isso é um problema grave e sério na minha opinião. É sério e é tão incoerente, quanto o que apontou o pastor Elvis, de que somos congregacionais mas em outros momentos, somos sinodais.

    As estruturas maiores (distrito, região, IELB) deveriam servir para preservar a unidade, mas a nossa unidade está nas nossas confissões. Não na hierarquia da estrutura.

    … talvez em percentual proporcional pastores-rei são em maior número. Mas sem uma pesquisa, nem adiante entrar nesse mérito. A coisa vai do preconceito de cada um. O meu diz que os pastores-reis vencem.

    Especialmente por um grande motivo:
    – o peso do ensino que o ofício de pastor carrega.
    (se ao menos fosse dividido com os leigos-servos)

    Se temos leigos-rei, temos por dois ou três motivos:
    – recusa de compreender a Palavra, cair a ficha do arrependimento e perdão, e viver uma vida de serviço, de sacrifício vivo (Romanos 12), por pura birra e coração duro mesmo;
    – recusa de compreender a Palavra, cair a ficha do arrependimento e perdão, e viver uma vida de serviço, de sacrifício vivo (Romanos 12), por falta de ensino (de quem?);
    – recusa de compreender a Palavra, cair a ficha do arrependimento e perdão, e viver uma vida de serviço, de sacrifício vivo (Romanos 12), por falta de oportunidade.

    Talvez em algumas poucas congregações, haja falta de oportunidade porque existe um número enorme de membros servindo e não há espaço para que todos sirvam-se uns aos outros. Para falar a verdade, não conheço essa congregação. Me apresentem!

    Em muitas congregações que conheço a falta de oportunidade se dá porque os leigos-reis exigem que o pastor faça tudo. E o pastor simplesmente faz… até realiza um ou dois estudos para ver se o pessoal aceita que outros membros façam alguns estudos (lidos). Mas em geral, vejo pastores se deixando vencer dentro desse quadro, e retroalimentando o pastorcentrismo.

    Em algumas congregações, pastores tentam começar e mudar o rumo das coisas com estudos, tentam preparar pessoas, e até conseguem, mas a cadeia se fecha em alguns… e a maior dificuldade parece ser perpetuar a cadeia de estudo, de liberdade, e de serviço.

    Sem mencionar as congregações que efetivamente o pastor manda e ponto… em todas as áreas, todos os “dons” são dele: governos, curas, profetização, enfim.

    Eu vejo que, de uma forma ou de outra, tudo se volta para a nossa concepção tradicional de congregação que coloca o pastor como alguém que deve atender a congregação fazendo todo o trabalho relacionado com ensino, pregação, visitas, SC, batismos… enfim…

    … na maioria das vezes os problemas, como já foi lembrado pela Daniela, estão relacionados com os leigos-reis que não querem se envolver. Mas, por outro lado, se eles não querem se envolver e não são envolvidos efetivamente, temos que concordar que tem alguma coisa errada com a pregação, com o ensino, com as oportunidades… ou os leigos decidiram sozinhos e simplesmente que a igreja é o pastor.

    … não se trata de dizer aqui de quem é a culpa, isso seria um debate sem fim. Se trata de reconhecer que temos um problema pernicioso para a igreja: o pastorcentrismo (de membros e pastores). E então, precisamos começar a discutir como podemos solucionar esse quadro.

    Esse, eu acredito, é que deveria passar a ser o debate. Que tal?

  13. Olá pessoal! Faz um bom tempo que venho acompanhando as reflexões do Reflete Jelb. Acho muito oportuno este espaço, pois crescemos muito com a troca de idéias e experiências. Lendo a reflexão proposta pelo Pastor Elvis, bem como os comentários, concordo com muito do que foi dito, principalmente com relação a idéia de pastorcentrismo na IELB. Mas acredito que isto ocorra principalmente por falta de estudo e leitura individual da Palavra de Deus. Vejo que muitos dos membros não se dedicam a leitura e estudo da bíblia em casa, diariamente, o que enfraquece a intimidade com o Senhor e com sua Palavra. Acho que o principal seria, antes de tudo, incentivar os membros a realizarem leitura e estudo diário da Bíblia, dando oportunidade para o Espírito Santo agir através da Palavra. Assim teremos uma igreja com membros mais ativos e aptos ao trabalho no Reino de Deus.

    Abraços
    Patrícia


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