Publicado por: Miguel Dolny | 24 novembro, 2008

Produzir frutos

Versículo-tema: “Outras pessoas são parecidas com as sementes que foram semeadas no meio dos espinhos. Elas ouvem a mensegam, mas as preocupações deste mundo e a ilusão das riquezas sufocam a mensagem, e essas pessoas não produzem frutos.” (Mateus 13.22 – NTLH)

 

O versículo escolhido para conjugarmos essa semana faz parte da conhecida parábola do semeador, que está registrada no Evangelho de Mateus, capítulo 13. Justamente por ser tão conhecida, às vezes pensamos que já a entendemos muito bem e deixamos de refletir sobre a mesma. Para não cairmos nessa armadilha novamente, vamos dar mais uma lida, antes de prosseguirmos com o texto. (Mateus 13. 1-9 e 18-23) Concluída a leitura, partimos então para a reflexão.

Comecemos então com a seguinte questão: Quando alguém pergunta como você está e o que tem feito, qual a sua resposta? Quem sabe o chefe não tem dado moleza e você se lembre  apenas das atividades do trabalho. Ou as provas de fim de semestre não deixam você se concentrar em outra coisa. Também pode ser que seu time esteja brigando pelo título do campeonato e não exista espaço para mais nada em sua mente. As contas acumuladas estão lhe dando muita dor de cabeça?

Jesus, o grande Mestre, nos ensina mais uma grande lição com a parábola do semeador. Caso o texto não tenha ficado muito esclarecido, vamos dar uma revisada. Um homem saiu para semear; várias situações ocorreram com as sementes que ele espalhou, e essa é uma ilustração para dizer o que acontece com as pessoas quando ouvem a mensagem da salvação. Algumas pessoas não entendem essa mensagem e logo se esquecem dela. Outras se alegram com a boa-nova, mas como não é tão fácil ser cristão, logo abandonam sua fé (Mateus 24.9b-10). Outras ainda, e é dessas que queremos tratar, aceitam a mensagem, mas as preocupações do dia-a-dia fazem com que não produzam frutos. Por último, temos as que além de aceitarem a mensagem, se tornam testemunhas sobre o Evangelho.

Será que ir aos cultos todo final de semana é suficiente? Participar dos grupos de estudo bíblico ou de jovens contribui para a obra do Reino de forma desejável? Com certeza todas essas atividades são muito importantes, mas devemos ter um cuidado especial com o nosso relacionamento com Deus e o testemunho todos os dias. Quando as diversas preocupações do nosso cotidiano passam a sufocar a pregação da mensagem, então somos como sementes no meio de espinhos. Fica muito claro no texto bíblico que nossa missão é produzir frutos.

E o que, afinal de contas, isso significa? Significa que, em meio à correria de todos os dias, podemos falar de Deus ao nosso próximo. Nossos colegas de trabalho, faculdade, escola, estão esperando pelo nosso testemunho; e Deus também está (Mateus 28.19-20)! E não somente através de palavras, mas também por ações. Parar de reclamar do trabalho e agradecer por receber, através dele, o pão de cada dia; estudar mais um pouquinho para as provas e ser feliz por ter essa oportunidade; esses são pequenos atos que fazem as pessoas perceberem que somos diferentes, que temos algo a mais.

Então vamos nos dedicar mais ao crescimento espiritual; assim como temos nossos compromissos diários, estabelecer como meta a leitura da Palavra, os momentos de oração, e assim preencher todo o nosso ser com o Espírito de Deus, e capacitados por Ele, sermos testemunhas, produzindo mais e mais frutos para o Seu Reino.


Responses

  1. Olá Miguel,

    Você pergunta se “ir aos cultos todo final de semana é suficiente?”

    E depois acrescenta que “devemos ter um cuidado especial com o nosso relacionamento com Deus e o testemunho todos os dias.”

    Mas precisamos saber que isso também não é suficiente. NADA é suficiente!

    Nada do que nós podemos fazer é ou será suficiente. Por isso, eu acho que a pergunta que você colocou induz ao erro de acharmos que podemos fazer o suficiente.

    E aí temos duas opções ruins:
    – obedecemos e obedecemos, e obedecemos e nos sentimos bem, melhores, bons, e até nos comparamos com aqueles “que não andam cultivando uma relação muito íntima com Deus”, sem percebermos que esse mesmo sentimento nos distancia dele, pois nos tira a humildade do Servo;
    – ou então desobedecemos e desobedecemos, e percebemos que não estamos conseguindo fazer “o suficiente”, e nos sentimos mal com isso. Chegamos até a nos repreender: “servo mau”, “cristão malvado”. E com isso praticamente nos colocamos na cruz, no lugar de Jesus, sem perceber que isso nos tira a alegria que o sacrifício dele nos dá.

    Deixamos de ter a humildade e a alegria do servo, quando tentamos fazer o suficiente. Por isso quero lembrar que só uma coisa é suficiente: o sacrifício de Jesus.

    Partindo da fé que temos nesse sacrifício, e do entendimento de que esse sacrifício é que é suficiente para Deus, e mais nada, então participamos do culto (com ou sem preocupação com o tempo), e pedimos mais depois; queremos o estudo bíblico e a reunião de jovens pois é um lugar de comunhão com Deus em sua Palavra em comunhão com nossos irmãos na fé; sabendo que nada do que possamos fazer é suficiente, e que Jesus já consumou tudo na cruz, cada oportunidade de vida é um cuidado especial do nosso relacionamento com Deus e uma oportunidade de testemunho.

    Sabendo que não podemos fazer o suficiente, e que por mais que nos dediquemos ao nosso crescimento espiritual não será suficiente, podemos nos aproximar de Deus todos os dias com humildade de quem espera que Deus veja apenas as obras de Jesus em nossas vidas. Então oramos para que o Espírito Santo trabalhe em nós tanto o querer como o realizar.

    .um grande abraço.
    .Rahel.

  2. Oi Rahel
    Creio que pergunta do Miguel é apenas para enfatizar a questão do comodismo, ou ainda, o erro que cometemos quando estamos mais preocupados com religiosidade e tradicionalismo em detrimento a uma vida verdadeiramente santificada.
    Claro, vc tem toda razão quando diz que “nada do que fizermos será suficiente” e “que só uma coisa é suficiente: o sacrifício de Jesus”, mas observando todo o contexto da reflexão postada pelo Miguel ela nos leva a pensar em produzir frutos, frutos do espírito.

  3. Olá Agnes,

    Não posso dizer que conheço bem o Miguel.

    Mas posso dizer que conheço Miguel o suficiente para saber que ele não quis dizer que podemos fazer algo que seja suficiente… por outro lado, enfatizei essas questões justamente porque não acho que ficaram claras no texto. Pelo contrário… mesmo observando todo o contexto.
    ok?

    .abraços.

  4. Olá pessoal

    Olhando bem mais uma vez o texto, percebi que isso não ficou muito claro mesmo.. então vamos esclarecer ne..

    Realmente o Rahel tem toda a razão quanto a isso de ser suficiente ou não.. Sabemos que somos pecadores, erramos o tempo todo, e nada do que fizermos será suficiente para apagar nossos erros.. e cremos que Jesus é o único que nos faz “bons” com sua morte na cruz..

    O que quis dizer mesmo foi quanto à questão de produzir frutos.. quis dizer que muitas vezes nos acomodamos por já “sermos salvos” e não colocamos como objetivo em nossa vida levar o amor de Deus ao nosso próximo. Porque o próprio Cristo fez uma distinção entre aqueles que “ouvem a mensagem, mas as preocupações deste mundo (…) sufocam a mensagem, e essas pessoas não produzem frutos” e os que “ouvem, e entendem a mensagem, e produzem uma grande colheita”..

    Isso me pareceu muito importante para refletirmos, pois muitas vezes achamos que já fazemos o suficiente quando estamos “apenas” indo à igreja.. mas como o Rahel disse, nada do que fizermos será suficiente.. não é porque testemunhamos que estamos salvos.. mas por amor de Deus, que nos enviou Seu Filho e nos capacita diariamente com Seu Espírito..

    Bom, pra não ficar muito repetitivo (já escrevi muitos “mas”, hehe), é bem isso:

    Não somos nós que “alcançamos” a salvação, mas Deus nos alcança com a vinda de Cristo. Por estarmos tão felizes de sabermos isso, devemos então falar dessa boa notícia para todos!

    Abraços!

  5. Pois é Miguel,

    Quer ver uma outra abordagem para o versículo que você estacou?

    Quais são as coisas desse mundo?
    Bem… entre tantas, podemos dizer que nossas obras, quando feitas por certa busca de mérito, ou para ser suficiente, ou mesmo por medo de não estarmos fazendo o suficiente. E Lutero lembra que o “módulo” normal do nosso coração é tentar comprar a salvação. Ou seja, a todo momento, estamos tentando fazer o suficiente. E então acabamos transformando as obras de Jesus em nós, em obras do mundo, que sufocam a mensagem da cruz.

    Desse jeito, acabamos como aquelas pessoas que “ouvem a mensagem, mas as preocupações deste mundo (…) sufocam a mensagem.” (Mateus 13.22)

    Acho que essa é uma das distinções que Jesus faz entre aqueles que ouvem a mensagem e a sufocam e os que produzem frutos.

    … penso que precisamos sempre partir da suficiência da obra da Jesus em nossas vidas para enfatizar a santificação. Do contrário, ou acabamos tristes por sermos insuficientes, ou acabamos orgulhosos por nos acharmos suficientes.

    Centrados no Servo não há nem vida verdadeiramente santificada. Há “apenas” Santificação… pura e suficiente.

    Tanto quando achamos que já fazemos o suficiente como quando achamos que não estamos fazendo o suficiente, estamos sufocando a semente com as nossas obras ou falta delas. Todas mundanas.

    Penso aqui, por exemplo, na parábola do Bom Samaritano. Dependendo como a entendemos e como a pregamos, nós podemos enfatizar mais a necessidade de fazermos algo pelo nosso próximo do que o que foi feito por nós. Veja só:

    1. centrados em nós, corremos o risco de ler a parábola como se Jesus estivesse dizendo “se vocês agirem como o Bom Samaritano, estarão agindo do jeito certo”;

    2. centrados em Jesus, nós nos veremos à beira da estrada, surrados, nus e praticamente mortos, quando um bom Samaritano (Jesus) se aproxima de nós, e sem exigir nada em troca, nos veste, nos cura e paga por todo o nosso tratamento. Agora “vá e faça a mesma coisa” (Lucas 10.37).

    Acho que temos mais motivação para agir com alegria e humildade quando sabemos que estávamos mortos à beira da estrada e fomos resgatados, e que nossa vida agora não se trata de agirmos como aqueles que devem fazer alguma coisa, mas trata-se de ação da graça. Ou seja, reflexos do amor de Deus.

    Não sufocar a mensagem é: lembrar de Jesus na cruz, daquele momento em que ele nos resgatou das trevas para sua maravilhosa luz, e que agora andamos na luz para simplesmente fazer e viver essa luz.

    .abraços.
    .el.

  6. Olá!..Com licença…
    ..as reflexões me lembram que, “somos felizes qdo fazemos o outro feliz”. E,assim,pensando a semente, é bom acreditar que ela pode germinar entre os espinhos, e que o processo de germinação leva tempo,para tanto é necessário que ter paciência. Lembrando que, paciência é algo concreto, é real, do dia a dia, em nossas ações, nossas relações..de cristãos e cidadãos.. é isso !
    Um abraço.

  7. Oi pessoal! Quando li a reflexão, o que mais me chamou atenção foi a questão de “ser sufocado”… pensando no meu dia-a-dia, pensando em tudo o q faço, acabei percebendo que realmente acabo sendo “sufocada” pela pressão do trabalho, por fazer milhões de outras coisas, e o tempo vai ficando curto, e a vida vai passando…e nós nos mantemos sufocados. Eu quero ser a semente boa!!! Eu quero produzir frutos!! Estou reflentindo até agora nas formas de não me deixar sufocar… oração, comunhão, cultos! Tudo isso é extremamente relevante na vida do cristão, e temos que diariamente buscar a comunhão com Deus, individual, em particular, para que todas as outras coisas nos sejam acrescentadas. Não podemos mais pensar nesse “sufocamento” como uma coisa natural, porque com o tempo é isso que acontece..não nos acomodemos nessa ilusão! Que Deus nos ajude a produzir bons frutos!

  8. Olá Luise,

    Vou fazer uma brincadeira-pseudo-séria, ok?

    Você não tem como ser a semente boa, pois “(…) a semente é a mensagem de Deus” (Lucas 8.11b)

    O que é certo é que nós somos os solos onde Deus planta a semente. Então, você pode ser um solo bom, como as “pessoas que ouvem e guardam a mensagem no seu coração bom e obediente; e porque são fiéis, produzem frutos” (Lucas 8:15b). Certo?

  9. Ambrósio, (pai, hehe..)

    Já conversamos sobre isso ao vivo mas acho que é importante compartilhar nossas reflexões com os outros também, né.. Concordamos com o fato de que é preciso arregaçar as mangas de uma vez para ajudar as pessoas a saírem de seus espinhos.. e também ter a certeza de que mesmo entre os espinhos há crescimento, mas o crescimento deve continuar para que sejam produzidos frutos.. para isso é importante nos livrarmos de nossos espinhos, que a passagem chama claramente de “preocupações deste mundo e a ilusão das riquezas”..

    Rahel,

    Acho que aí já estamos entrando muito em uma questão de nomenclatura, não? Pois considerando o que foi discutido, de que não podemos fazer nada por nós mesmos que seja suficente, podemos então refletir sobre a temática do post, que é a dos espinhos e dos frutos..
    O texto nos mostra claramente que a semente boa é aquela que produz frutos (a pessoa que testemunha e tem fé que Deus produz frutos através dela), e que para essa semente produzir frutos é preciso que esteja um terreno fértil e sem espinhos, sendo que os espinhos são as “preocupações deste mundo e a ilusão das riquezas”..
    A passagem nos fala de testemunho, e de que é preciso dedicarmos mais do nosso tempo para que consigamos fazer isso.. e como conseguimos isso? Com fé, oração, vontade que vem de Deus, ou seja, no fim das contas tudo depende de Deus mesmo.. mas quando estamos em comunhão com o Pai, motivados por Seu Espírito, somos levados a testemunharmos em palavras e ações, ajudando assim o nosso próximo a sair do meio de seus espinhos..

    Podemos ser sementes ou solos, dependendo da utilização da palavra.. mas todos querem dizer que nosso dever é produzir frutos..

    Luise, (Lui, hehe..)

    Algo que me chamou a atenção em teu comentário e que eu acho importantíssimo e acho que não ficou muito claro ou não foi muito comentado sobre isso no texto, foi o fato de que se entregarmos nosso caminho ao Senhor, as outras coisas nos são acrescentadas.. e a passagem leva muito a isso também.. Se colocarmos nosso relacionamento com Deus como algo primordial e constante em nossas vidas, através da oração, leitura da Palavra, comunhão, estamos saindo do meio dos espinhos (as “preocupações deste mundo” deixam de ser nosso foco principal) e assim somos aptos a produzir frutos (sempre lembrando que isso tudo, motivados pelo Espírito Santo)..

    Abraços em Cristo!

  10. Olá Miguel,

    Eu discordo de que nós podemos ser sementes ou solos. Entendo que podemos “criar” uma nova parábola, como uma forma de falar sobre diversos aspectos do Reino de Deus.

    Mas nessa passagem especificamente Jesus deixa claro que a semente é a Palavra. E nós somos os mais variados solos, senão quase todos ao mesmo tempo. Ou melhor, temos um belo potencial para ser solo bom e solo pedregoso, solo bom e solo com espinhos… enfim… mais ou menos como Lutero colocava: “simultaneamente justificados e pecadores”.

    … e não exatamente com o DEVER de produzir bons frutos mas com a certeza de que “aqueles que ouvem a mensagem e a entendem” (veja a relevância de entender o Evangelho) produzirão bons frutos.

    .abraços.


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