Publicado por: Daniela | 4 dezembro, 2008

PROTAGONISTA

            Quem é o protagonista de uma peça teatral? Depende…

            Nem sempre Jesus tem o espaço ou reconhecimento merecido em nossas peças teatrais, quando falo de Jesus, entende-se que, qualquer personagem “do bem” o representa.

            Mas na distribuição dos papéis, parece que os “maus” tem sempre melhor saída, por quê? É simples… Não temos medo de usar a criatividade para representar o mau; o figurino, sonoplastia, maquiagem, voz e corpo são sempre bem explorados. Logo, estes personagens caem nas graças dos atores e também do público.

            Porque então não ousar mais nos papéis de Jesus ou outro que represente “o bem”?

            Jesus é Deus, Deus é amor, e o que é o amor ou como se representa o amor? Como uma pessoa séria, quieta, legalista? Imaginem o seguinte Jesus:

            Bem-humorado e alegre que até as criancinhas adoravam ficar perto dele e ouvi-lo, ora… para prender a atenção de crianças, precisa ter muito jogo de cintura.

            Simpático e com um bom papo porque muitas vezes se aproximava de estranhos e os conquistava.

            Inteligente e a frente de seu tempo porque causava inveja de muitos “sábios” e fez inimigos.

            Pulso forte e sem meias palavras porque falava o que os outros tinham de errado e chegou a corrigir com “laço” quem invadiu a casa de Deus para fazer negócios.

            Amoroso e gentil porque sempre tinha uma palavra de consolo.

            Fiel, generoso, educador, poderoso, glorioso… e infinitos outros… “tudo de bom”.

        Sem blasfêmias, Jesus é muito mais do um rapaz com vestido branco e azul. E se queremos mostrar um Jesus Salvador, temos que interpretá-lo com muito mais ênfase.

            Segue um vídeo do Ministério Terra dos Palhaços, onde cristãos falam da Palavra de Deus de forma descontraída, é muito legal!

http://www.youtube.com/watch?v=0jHNXKcZxNg

 


Responses

  1. Vou arriscar algumas explicações, cada um filtre para si o que pode ser possível, mas pensem que faço ao mesmo tempo uma crítica junto com a Daniela. Os personagens maus tem mais saída, na minha visão, por diversos motivos que coloco mais ou menos em ordem decrescente:

    1. o campeão dos motivos me parece ser que os papéis dos cristãos soam piegas, chatos, “bonzinhos” demais (portanto, também irreais), enfadonhos, com palavreados estranhos e distantes do que nós mesmos fazemos no dia-a-dia, por exemplo: testemunham demais, com uma coragem e uma cara dura extremados que não costumamos ter, e ainda se saem bem nas peças, com poucas ridicularizações e convertendo metade do elenco. No frigir dos ovos, na minha opinião, os maus são os preferidos por causa do texto, do roteiro e do enredo;

    2. eu acho que um outro motivo para esse tipo de escolha é uma certa identificação com o mau. Nem sempre os maus são “tão maus” assim que se distanciam do que somos de verdade, então prefiro o que me parece mais verdadeiro e mais real;

    3. os maus tem menos falas. Agora, essa observação merece uma outra reflexão. Em geral, quando vejo jovens escolhendo os papéis maus, não só a escolha já passou pelos dois filtros e motivações anteriores como também, a situação da peça e do elenco é calamitosa pois não está sendo uma oportunidade de uso dos dons. Como assim? Bem… o que eu quero dizer é que vejo muito grupo de jovens participando de noites artísticas ou de eventos teatrais por certa obrigação, seja com o pastor, seja com o grupo todo, seja com a tradição, seja com o evento da congregação ou distrito… mas é por obrigação. “Gente, estamos precisando de atores para a peça quem quer fazer…?”; “Gente, já pedimos voluntários agora estamos mandando… participem ou vocês podem estar concorrendo a uma vaga ao inferno”. Não há peça que resita a uma obrigação-zinha pouco evangélica, e uma formação de elenco que não se manifesta entre os que possuem o dom.

    No frigir do ovos, quero argumentar ainda dentro desse último motivo que um grupo de teatro deve ser formado por aqueles que gostam de verdade de teatro. Teatro, como música, como outras manifestações culturais deve ser jogo para quem gosta… e geralmente quem gosta, aprende. Se esforça…

    Achei que um pouco do que a Daniela colocou no começo pode gerar um pouco de duplicidade de interpretação, ou seja, podemos querer que Jesus seja o protagonista de todas as peças e acabamos transformando Jesus no personagem central ou encarnado no protagonista da peça.

    Acredito que é preciso fazer uma separação para a reflexão que falo no próximo comentário.

  2. “Protagonista” versus “moral da história”!

    Se alguém me dissesse que a dita moral da história pode ser sempre “Jesus”, em uma peça de teatro cristão, mesmo assim, eu discordaria. Pois acredito que uma peça cristã pode ser de cunho social também. Por exemplo, explicando de uma forma bem crua: uma atitude cristã é dar pão aos que tem fome (atitude social); assim com é também uma atitude cristã, anunciar Jesus como salvador.

    Uma peça que leva atitudes e reflexões sociais também pode fazer parte do rol das peças cristãs… sem ter como moral da história o anúncio de Jesus como salvador. Mas a mensagem e atenção que o grupo e a peça de teatro estão dando à comunidade, ao bairro, à escola carente ou não, tem como pano de fundo o amor de Cristo e se torna uma atitude cristã.

    Não vou entrar no mérito… nada impede do grupo realizar um reflexão cristã também, distribuir folhetos, e apresentar Jesus ao público depois da peça como testemunho.

    Agora, nem sempre também o protagonista precisa ser Jesus. Ele pode aparecer no final através da atitude ou da mensagem de um personagem secundário, Ele pode aparecer no meio como alguém ou como a Palavra que muda o rumo de alguém ou até mesmo de toda a história, Ele pode ter uma pontinha no início da peça que vai ser muito bem lembrada no desfecho final sem precisar dizer uma só palavra tão marcante foi a presença no começo; enfim, os protagonistas podem ser malvados, a peça pode ser social, e ainda assim, o texto e a intenção toda no contexto da peça faz parte da atitude de um grupo de teatro cristão, onde Jesus é protagonista no coração de cada ator.

    Na minha opinião, esse é protagonismo que interessa. Quando temos Jesus no coração dos atores, a peça social tem outro brilho, o protagonista mau leva outra mensagem, o texto, a peça, os atores, seja durante a apresentação ou depois dela levam a mensagem da cruz e da salvação, em algum momento… e com palavras e/ou atitudes.

    No mais, eu concordo plenamente com a Daniela que precisamos aprender a apresentar um Jesus menos chato do que costumamos ver por aí… precisamos aprender a apresentar um Jesus contextualizado, conforme ela mesma coloca.

    Parabéns, Daniela. Muito legais as propostas de contextualização.

  3. “Jesus é protagonista no coração de cada ator.”
    Ou pelo menos, deve ser! Pois a boca fala do que está cheio o coração. Sendo assim, realmente qualquer peça e qualquer personagem leva o amor de Jesus. Ótimas colocações Rahel, valeu!
    Até mais,
    Daniela.

  4. Pois é…

    … se a gente levar em conta que a boca fala do que está cheio o coração, como é que ficam o atores que fazem os papéis de malvados?

    Tem uma reflexão interessante para fazer aí… respondendo o que a mentira tem a ver com o teatro.

    .abraços.
    .el.

  5. Oi Dani.
    Realmente, nunca tinha parado pra fazer esta reflexão. Na maioria da peças, que eu assiti (principalmente as apresentadas em congresso), tem todo o desenrolar da história e lá no final é apresentado um Jesus tímido, muitas vezes, nem o vemos, apenas ouvimos uma voz.
    Na realidade acho que temos dificuldade de respresentar um Jesus com as característica que vc descreveu porque sabemos que Jesus é Santo. Sua “divindade” acaba por trazer um medo de reprenta-lo de um forma que não seja “a forma perfeita”.
    Mas como o Rahel comentou “a forma perfeita” está muito longe da nossa realidade, está longe do nosso cotidiano, do nosso linguajar.
    Como representar este Jesus alegre, simpático e até enérgico sendo que a maioria das peças teatrais não o caracterizam desta forma?

  6. Rahel, devemos levar em conta o contexto da peça, vc deve se esmeirar para compor seu personagem da melhor forma possível, mesmo que seja o malvado da história, mas contribuir para que a peça passe o seu recado, independente de ser cristã ou não, vc deve acreditar e se entregar ao que está sendo passado. Mas qual é sua reflexão?
    Agnes, vc assistiu ao vídeo? Jesus quase não aparece, mas quando chega na fala de Jesus, ele está contextualizado e seguindo a dinâmica do texto. Todas as peças podem e devem ser adaptadas, e as características e experiência do ator que faz Jesus ajuda muito, pois normalmente se pega alguém super leigo, pois Jesus não fala quase nada, pelo contrário, deveríamos pegar o ator mais experiente para este papel, e deixar a criatividade rolar.
    Até mais,
    Daniela.


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