Publicado por: Pastor Elvis | 25 março, 2009

A ÉTICA DO AMOR 02

24/03 a 30/03/2009 – Post 10

 

Olá leitores, irmãos e amigos do RefleteJELB,

 

No post anterior tivemos um comentário do amigo Rahel onde ele citou o texto de Jeremias 29.7:

 

“Trabalhem para o bem da cidade para onde eu os mandei como prisioneiros. Orem a mim, pedindo em favor dela, pois, se ela estiver bem, vocês também estarão.” (Jeremias 29.7)

 

Qual era o sentimento do povo de Deus em relação a Babilônia?

 

A cidade da Babilônia representava falta de liberdade, já que o povo de Deus era prisioneiro lá. Ela representava também o pecado, tanto o do povo de Deus que ocasionou o cativeiro como alternativa de pregação da lei por parte de Deus, como o pecado do povo babilônico que não conhecia a Deus. O povo de Israel não tinha amor pela Babilônia… eles desprezavam aquela cidade e isto mudou a história e a literatura do povo de Deus… daí em diante Babilônia passou a ser sinônimo de idolatria e cidade inimiga de Deus. Havia um sentimento de revolta no ar por saber que Deus usou uma cidade tão pagã como instrumento de anúncio da Lei Divina. Pois este foi o propósito de Deus – mostrar que o povo estava afastado dele. Se o povo continuasse afastado de Deus a conseqüência seria a condenação eterna. Era necessário fazer algo para que o povo se desse conta de que aquilo que os profetas anunciavam era verdade. O povo precisava reconhecer o seu pecado, para que o evangelho pudesse ser anunciado. Como o povo de Deus estava vivendo um período de prosperidade financeira e se iludiam de que isto era sinal de que estavam no caminho certo, era necessário falar uma linguagem que o povo entendesse, por mais que Deus deseje sempre o bem aos seus filhos… era necessário privá-los da prosperidade e liberdade, para salvá-los eternamente.

 

Diante de todos estes sentimentos do povo de Israel em relação a Babilônia, mesmo que Deus não concordasse com a pecaminosidade da Babilônia, ainda assim, Deus diz “trabalhem para o bem da cidade”… “orem a mim, pedindo em favor dela”… Se a cidade estiver bem, vocês estarão bem… não só isto, mas Deus ama e perdoa você, Deus também ama as pessoas que estão nas cidades e deseja conceder-lhes o seu amor através de você que já conhece e já recebeu este amor.

 

O povo de Deus reconheceu o seu pecado.

O povo de Deus confiou na misericórdia de Deus.

O povo de Deus foi perdoado de seus pecados.

O povo de Deus pôde voltar para Jerusalém.

O povo de Deus foi salvo pela graça de Deus.

 

Amar, cuidar, ajudar, amparar, ouvir, testemunhar, ter empatia, entre outros sinônimos são frutos da fé… são atitudes que optam pelo bem… são portanto atitudes éticas.

 

Como disse o Dr. Martim Warth: “Os atos éticos do cristão são apenas ‘exercícios da fé'” (A Ética de Cada Dia. 1 ed. Canoas: ULBRA, 2002; p.20).

 

Lutero disse:

“Depois disso, cuida apenas para proceder com o próximo como Cristo procedeu contigo, e deixa todas as tuas obras com toda a tua vida visar ao teu próximo. Procura onde há pobres, doentes e fracos: ajuda-os; exercita neles a tua vida, para que tenham apoio, por tua parte, todos aqueles que precisam de ti; ajuda-os na medida de tuas capacidades com teu corpo, teus bens e tua honra (…) Sabe que servir a Deus não é outra coisa senão servir ao teu próximo, fazendo-lhe bem com amor, seja ele uma criança, uma mulher, um criado, um inimigo ou um amigo. Não faças distinções quaisquer. O teu próximo é aquele que necessita de ti em assuntos de corpo e alma. Onde podes ajudar corporal e espiritualmente, lá há serviço a Deus e boas obras (…) Olha para a tua vida: se não te encontrares, como Cristo no Evangelho, em meio aos pobres e necessitados, então sabe que a tua fé ainda não é verdadeira e que certamente ainda não experimentaste em ti o favor e a obra de Cristo” (WA 10/1,2, p.168, linha 10).

Não podemos esperar por incentivos sociais, governos, ONGs, empresários, ou quem for. Nós cristãos precisamos tomar a iniciativa fazer e falar sobre a necessidade de demonstrarmos amor e cuidado para com as pessoas, antes que seja tarde.

Nosso mundo está andando para uma realidade onde a maior parte da população está sendo excluída dos benefícios conquistados.

Quanto tempo os pobres demorarão para se revoltarem contra as classes dominantes?

Queremos que haja esta revolta?

 

“Os que poderiam conscientizar a humanidade desfrutam gaiamente (terrenamente) a viagem em seu Titanic de ilusões. Mal sabem que podemos ir ao encontro de um iceberg ecológico que nos fará afundar celeremente” (Boff. Saber Cuidar. 6 ed. Petrópolis: Vozes, 2000; p.133)

 

Precisamos reformular nossa forma de viver para que nosso culto a Deus (na vida e na Igreja) elimine a dicotomia entre pregação e cuidado. Entender a função distinta de cada uma é importante, mas separá-las é prejudicial.

 

Encerro com as palavras do pastor Bruno Rieth:

“Quando os sofredores souberem que em nossos cultos há ouvidos sensíveis para o seu clamor e quando não houver gente demais dificultando o acesso à misericórdia de Deus, muitos virão com suas cargas pesadas. Recuperar o papel original do Kyrie nos cultos pode trazer muita bênção a nossas comunidades”. (Comunidade com o Jeito de Jesus. 1 ed. Porto Alegre: Concórdia, 2002; p.62)


Responses

  1. Eu gosto muito desse texto do cativeiro na Babilônia, pois ele não deixa margem para nossas desculpas:

    – se nos sentimos “prisioneiros” de governos, de toda uma organização social, ou até mesmo das burocracias de nossas comunidades, nada disso é ou deve ser empecilho para trabalhar pelo bem da cidade;

    – se achamos que as pessoas da fora da comunidade não merecem o nosso amor e atenção, pois são por demais pecadoras, andam abortando, são homossexuais que não se arrependem, enfim… Deus ainda nos diz, trabalhem pelo bem da cidade – certamente, também desses pecadores;

    Isso me lembra a mesma situação de ensino divino pela qual passou Jonas… outra hora explico melhor, ou se o pastorAÇÃO quiser explicar, sinta-se a vontade.

    Por fim, ainda lembro da palavra “Shalom” que geralmente é traduzida na Bíblia por “paz”. Mas o seu significado é muito mais amplo me profundo segundo alguns comentaristas:

    – “shalom” é todo um entrelaçamento harmônico. Por exemplo: quando estamos com saúde no corpo, mas nossa mente está perturbada com preocupações, experimentamos falta de equilíbrio e harmonia psíquica, precisamos de um certo “shalom mental”; quando uma cidade possui muita gente rica, que guarda o dinheiro para si, acumula riquezas, e do outro lado temos gente muito pobre que sequer cosnegue guardar alguma coisa, temos um rompimento no “shalom social”. Jesus veio restaurar esse shalom, a Paz, em todos os níveis, social, econômico (na visão bíblica de justiça), e pessoal.

    Ficou confuso?
    … é só falar que eu tento reexplicar em outro momento. (ou eu deixo para o nosso pastorAÇÃO?)

    .um grande abraço.

  2. “Quanto tempo os pobres demorarão para se revoltarem contra as classes dominantes?

    Queremos que haja esta revolta?”

    Ultimamente tenho visto algumas revoltas.. o preço da passagem de ônibus “público” aumentou.. vi muita gente invadindo ônibus para forçar sua parada.. gritaria nas ruas e correntes humanas parando o trânsito..
    Também com questões na universidade.. a fila do RU (restaurante universitário) é cada vez maior.. então pessoas se vestiram de palhaço, fizeram faixas, saíram do RU com os pratos como forma de protesto..

    Diante desses acontecimentos, em um primeiro momento, pensei:
    – Por que fazem isso? Tudo se resolve na conversa..

    Mas depois de refletir um pouco, vi que muito do que acontece de melhorias na sociedade é fruto de revoluções, de revoltas.. as autoridades fazem o máximo para não ouvir as pessoas que muitas vezes querem conversar, por isso os deixam revoltados.. claro que existem os revoltados com pavio mais curto, mas acho que grande parte das revoltas é causada por falta de ética e amor dos responsáveis por melhorias.. daqueles que deveriam trabalhar para o bem da sociedade sem precisar que alguém fizesse faixas ou invadisse ônibus os avisando e lembrando do trabalho..

    Realmente é um grande exercício de fé orar pelo bem da cidade.. que depende cada vez mais de pessoas corruptas e sem ética.. E no fundo no fundo, depende de nós né.. que votamos e colocamos essas pessoas no poder.. então seria falta de ética nossa também?!

  3. Essa é uma afirmação forte:
    “(…) muito do que acontece de melhorias na sociedade é fruto de revoluções, de revoltas”.

    Teorias da Conspiração (parte I)
    Não acredito nelas, mas falo delas:
    Que tal pensar que, por exemplo, um governo de esquerda que prega a revolução socialista, de certa forma, age como governo contra o povo ao não investir em hospitais, serviços públicos essenciais provocando certas revoluções e, ao mesmo tempo, “compra” o povo com “bolsas tudo” para tê-los do seu lado?

    Talvez mais importante do que discutir se realmente o único meio de mudança são revoluções a pergunta que o pastor Elvis fez depois seja ainda mais pertinente: queremos que haja revolta, revolução? Acreditamos realmente que esse seja o único meio? Temos outras alternativas?

    Eu entendo que ética sendo algo relativo a cada indivíduo, não podemos ser responsabilizados pela corrupção dos outros. Mas é verdade que em geral “caímos” na falácia de que participar e exercer nossa cidadania tem seu ápice no voto.

    Eu chamo isso de uma grande mentira.

    O voto, na minha opinião, é apenas a porta de entrada para a cidadania, da qual participamos de diversas maneiras, entre elas: cobrando por ação de nossos políticos, posicionamento em determinadas cotações, cuidado de nosso próximo, servindo através de ONGs, em nossos bairros ou centros comunitários, e mesmo filiando-nos e participando de decisões em partidos políticos, além de inúmeras outras formas. Aliás, deveríamos discutir mais essas formas de exercer nosso amor ao próximo e cidadania de forma bem prática na sociedade.

    Muitas idéias, para quem não lembra, surgem no fome29 e são partilhadas no nosso blog. É só acessar, e se quiser, lembrar a gente de algumas idéias:

    http://www.fome29.org.br


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