Publicado por: Miguel Dolny | 30 março, 2009

Amar a Deus

Versículo Tema: “Jesus respondeu: – ‘Ame o Senhor, seu Deus, com todo coração, com toda a alma e com toda a mente.’ Este é o maior mandamento e o mais importante.”

 

            Ah, o amor, como é bom amar! Ficamos bobos, não há mais nada a nossa frente do que a pessoa amada. Todos os pensamentos se voltam para essa pessoa e de muitas formas se busca demonstrar toda a força desse sentimento, flores, cartas, presentes, mensagens, declarações, poesia e por aí vai. Ninguém escapa disso. Outra coisa que chama a atenção é a devoção quase que romântica e desesperada que algumas pessoas têm por times de futebol. É incrível a dedicação em acompanhar jogos e jogadores, indo a estádios ou acompanhando pela televisão, comprando os produtos que levam os brasões do time do coração. A efusividade do torcer, xingar o juiz, gritar desesperadamente por um gol e abraçar desconhecidos em comemoração. Esses dois exemplos mostram a nossa capacidade que temos de gerar em nossos corações um sentimento forte de carinho e quase dedicação a alguém ou a alguma coisa e de expressar isso.

            O que coloquei acima, gostaria de transpor para a nossa realidade de jovens luteranos que vivemos estas coisas como qualquer pessoa luterana ou não, cristão ou não. Como luteranos, recebemos uma herança germânico-européia de seriedade e sobriedade com respeito ao nosso relacionamento com nossa religião e com o Deus que cultuamos em nossos cultos. Nossa tradição teológica da reforma coloca a centralidade das pregações na fé, algo que realmente é incontestável. Cremos e testemunhamos que pela fé em Cristo temos a salvação. Mas me chama a atenção o fato de sermos capazes de amar pessoas e coisas, sendo capazes de expressar de maneira tão intensa isso, porém quando se trata da nossa fé, temos tantos problemas de sentir e expor nossos sentimentos.

            O texto bíblico que é referência para nossa reflexão e que são as palavras de Jesus diz que em primeiro lugar devemos amar a Deus através das três formas, esferas ou capacidades que temos: a emocional, a espiritual e a racional. Chama a atenção também a palavra “todo/a” que é posta a frente de coração, alma e mente. Significa que não é apenas qualquer amar que Jesus pede, mas é com toda a intensidade que somos capazes de expressar.

            Preocupa-me muito o fato de sermos tão “frios” de certa maneira quando nos colocamos diante de Deus. Somos preocupados com a fé, em estudos sobre ela, definições sobre passagens bíblicas e doutrinas. Desenvolvemos as esferas espirituais e racionais, mas a emoção, o amor parece precisar de cuidados.

            Esta é uma preocupação minha e eu me sentia dessa forma, sempre me preocupei em estudar a bíblia e orar por fé. Mas em um determinado momento (o que não faz muito tempo), percebi que quando se referia ao amar a Deus, fiquei sem saber o que pensar, não conseguia perceber esse sentimento em mim. Perguntei-me se não amava a Deus? Foi quando pedi a Ele que despertasse em mim esse sentimento. Queria amar o Deus que fez de tudo por mim, o Deus que me criou, que tornou-se homem e carregou sobre si meus pecados, sofreu e morreu para que eu fosse salvo e que ainda mora em mim, dando e dirigindo a minha fé.

            Quando estudamos no ensino confirmatório aprendemos que o amor é fruto da fé que temos em Deus e por isso creio que se cremos, o amor para com o nosso Senhor está em “nossos corações”. Por causa disso tenho a certeza que todos os luteranos que têm tão claro o conhecimento da fé, possam também desenvolver o conhecimento do amor e assim sentir e praticá-lo. O Deus em que creio é capaz de fazê-lo e “é por isso que peço que peçam a Ele”.

            Talvez assim, como conseqüência do nosso amor a Ele, possamos expressar esse sentimento através de muitas ações, mais do que com flores e outros presentes materiais, mas com nosso testemunho, nossa adoração sincera, nossa gratidão por tudo o que o nosso Deus nos fez. Talvez possamos “gritar nos gols” que Deus faz, comemorar um batismo, uma profissão de fé, uma confirmação, um enterro (brincadeira).

            Amemos o nosso Deus, ninguém merece mais do que Ele.

*Texto de Jerri Tomm, jovem de Palmas-TO.


Responses

  1. O texto expressa em certo ponto uma contradição que todos nós, cristãos-luteranos ao menos, vivemos:

    – de um lado temos uma cultura que nos diz como amar, por exemplo, um time de futebol. Amar o seu time é cantar seu hino, torcer com vigor, chorar quando ele perde. Da mesma forma temos a cultura que nos diz como amar um amigo ou amiga, como amar nossos pais…

    Acontece que muitas vezes queremos levar certas culturas para dentro da igreja… e isso não nos é permitido pela “cultura do grupo”. Ou seja, alguns acham errado amar gritando de alegria, chorando em hinos tristes, enquanto outros acham certo e, sendo tão radicais quanto os primeiros, acham até errado amar sem chorar, sem gritar, sem torcer por Jesus.

    Eu vejo Jesus dizendo para esses dois grupos que amar não é nem uma coisa nem outra. No amor há respeito… e submissão. Por isso não impomos a nossa maneira de amar de todo coração aos outros no grupo.

    O amor do qual Jesus parece estar falando não se trata de forma: gritos, choro, ou do oposto, silêncio, caras sérias. Mas se trata de qualidade: todo coração, toda alma, todo entendimento.

    Se alguns, por causa de sua cultura, expressam esse todo coração com silêncio. Tudo bem. E se outros se expressam com gritos… tudo bem.

    O problema na igreja tem sido respeito de ambas as partes, respeito a ambas as culturas e expressões. Tal e qual aconteceu com Davi quando ele dançou na frente da arca do Senhor e foi desprezado de todo coração por Mical (II Samuel 6):

    “E Mical, filha de Saul não teve filhos, até o dia de sua morte.”

    Essa última palavra indica para mim que não é boa coisa da parte de qualquer cultura desprezar e questionar a forma de culto, louvor e amor de todo o coração de outras culturas.

  2. Caro Rahel, quando escrevi o texto, minha intensão era o de exortar ao amor a Deus. Está certo em dizer q a forma de demonstrar isso não é apenas de uma forma apenas. Mas é da forma que cada um sente e expressa, seja qual seja esta forma.
    Não era minha intensão dar preferência pela maneira mais expansiva, esta era apenas uma ilustração. A minha crítica, e eu não a expressei de forma direta, é que nossa passividade e quase inércia física sejam sim falta de amor para com Deus, que tem como resultado mais grave a nossa incapacidade de dar testemunho daquele que cremos e que nos salvou. Essa era a minha intensão com o texto. Acho q naum fui bem sucessido nisso.
    Agora, o q me preocupa no seu comentário são suas palavras no final, me desculpe, creio q não foi sua intenção, mas eu me senti atingido por elas. Espero que Deus não me castigue tão duramente. Acredito que ele me ama e perdoa minhas falhas.
    Bom, é isso Rahel. Suas palavras me tocaram com dureza. Eu apenas tinha a intensão de estimular o amor a Deus e o fiz dentro das minhas possibilidades, q não são muitas.

  3. Olá Jerri,

    Na verdade, a pessoa que realmente se expressou mal aqui fui… pois lendo suas palavras agora percebo que não deixei alguma coisa clara.

    Se eu não concordasse com o que você escreveu, pode ter certeza, eu diria com todas as letras: “não concordo com o autor do texto pois…”

    Sendo assim, nem minhas últimas palavras nem minhas primeiras palavras são um crítica direta à você mas uma sequência de pensamentos que me ocorreram partindo do seu texto:
    – você admite ter criticado a forma da passividade e inércia física como falta de amor para com Deus;
    – e eu critiquei o desprezo de uma cultura de amor para com outra cultura de amor.

    O restante acredito que tenha sido mal apenas um entendido. Espero, por isso, que você possa me perdoar por ter feito você se sentir duramente criticado e até mesmo condenado pelas palavras relacionadas com Mical.

    Na verdade, até isso acho que ficou mal explicado de minha parte. Não acredito que haja aquela condenação específica no desprezo de uma cultura de amor para com Deus por outras… apenas quis dizer o que disse:
    – que aquelas palavras indicam que não é uma boa coisa esse desprezo.

    Mas tinha em mente o desprezo que eu mesmo já tive em outros tempos para com certas tradições silenciosas da minha cultura alemã a ponto de achar que essa respeito e silêncio demasiado era falta de amor e cultura de louvor; da mesma forma como sentia o desprezo destes para com a minha cultura de dança e gritos de louvor.

    Hoje, tenho uma consciência de que tanto uma manifestação quanto outra são “válidas” para Deus pois ambas podem vir de corações tocados por Deus e por seu amor.

    Por favor, não se sinta desprezado nem condenados pelas minhas palavras e também tentativa de reflexão cheia de falhas… eu também apenas tinha a intensão de, concordando com você, “estimular o amor a Deus e o fiz dentro das minhas possibilidades, que [também] não são muitas.”

    Ok?

    Sinceramente, o único aqui cujas possibilidades parecem limitadas e mal escritas sou eu, pois eu acredito ter compreendido a sua reflexão e você não compreendeu a minha.

    Desculpa.
    Do fundo do coração.

    .em Jesus.

  4. Olá Rahel, fiquei sem palavras para te responder. Acho q está certo em dizer q não compreendi suas palavras e minha resposta tenha sido tenha sido exagerada. Mas somos humanos, com sentimentos confusos e mal encaminhados. Respondi ao que senti.
    Contudo, depois destas palavras trocadas, sinto que temos coisas em comum, que é a busca de comunicar este Deus q adoramos. E agora vejo a importância de ser mais cuidadoso em fazê-lo e não supervalorizar maneiras específicas.
    Peço desculpas por ter exagerado na minha resposta. Somos filhos do mesmo Pai e portanto irmãos, e os entreveros entre irmãos é natural, hehheh.
    Que o nosso Senhor nos ajude e abençoe
    Um abraço irmão!!!

  5. Claro Jerri,
    Sem problemas… eu não apenas sei que essa forma de comunicação por vezes permite interpretações de acordo com N fatores, como também sei que escrevemos coisas que podem ficar mal explicadas mesmo.

    Logo vi que tínhamos idéias em comum e que eu estava explicando mal meu ponto de vista…
    … essas coisas acontecem e são normais.

    Tudo na santa paz!

    .Um grande abraço.
    .Fica com Deus.

  6. Jerri, seja bem-vindo ao Reflete, adorei ler suas opiniões e questionamentos. Não deixe de responder aos comentários, não tenha medo de expor teus sentimentos, assim a gente aprende a se conhecer melhor e a conhecer nossos leitores.
    O Rahel é um grande e importante comentarista do Reflete (gostou no novo cargo Rahel? hehehe), tb começamos nos cutucando e pedindo desculpas, heheheh, né? Mas considero bastante o que ele escreve, assim como o que vc escreve, gostaria de te ter como comentarista do Interpreta tb, Tá? Gosto muito de vc!
    Até mais.

  7. Com as palavras do Rahel no primeiro comentário, lembrei daquela passagem que fala sobre sermos “pedras de tropeço” (não lembro a passagem.. alguém?!)..
    Devemos tomar cuidado para não sermos preconceituosos quanto às diversas formas de expressão do amor, pois as pessoas podem se magoar e abandonar a fé..

    E sobre a temática do texto, me lembro de algo que aprendi/entendi a um tempo atrás.. uma música do Zeca Baleiro estava me dizendo o tempo todo e só a pouco fui entender juntamente com a Luise: “Canções de amor se parecem porque não existe outro amor..”

    Só existe UM amor! Deus é amor! O amor verdadeiro só pode vir de Deus, e nós só podemos amá-lo e amar ao próximo com esse amor criado por Ele! As formas de expressão do amor é que são várias, mas o amor é o mesmo..

    No texto foi falado sobre sentir e expressar amor.. Pode ser com gritos e danças de louvor ou pode ser com orações silenciosas.. Mas pelo que entendi dessa questão da passividade, no comentário, falou-se sim de expressarmos esse amor em nossa relação com o próximo.. Ter fé e amar a Deus não pode ser separado de amar o próximo, pois se dizemos que amamos a Deus e não ao próximo, então estamos mentindo.. nosso amor deve ser traduzido em testemunho (falar de Deus com entusiasmo.. somos bons em falar de nosso time, vamos falar de Deus também!), em ajuda e cuidado com o irmão e acho que nós, luteranos (a maioria pelo menos), temos certa dificuldade em expressar esse amor ao próximo..

    Aprovado o cargo do Rahel! Hehe..

    Abraços em Cristo!

  8. Muito bom o post… e por opnião minha, o texto postado junto com os comentários de todos (Rahel,Miguel,Jerri) ajudão a compreender a ideia geral! completaram (e muito bem) o assunto! parabéns a todos.

  9. lembrando jovens, que ” Ele nos amou primeiro..” aproveitando a visita gostaria de dizer que, a maior ( ou, melhor ) expressão de fé´para mim é a oração do ” molda-me..” ( não sei a passagen, mas vcs o sabem. Um abraço para todos !


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