Publicado por: Pastor Elvis | 2 abril, 2009

A ÉTICA DO AMOR 03

31/03 a 06/04/2009 – Post 11

 

Queridos leitores,

 

Termino esta trilogia com alguns tópicos relevantes que justificaram minha proposta de refletirmos sobre a necessidade de defendermos uma hermenêutica do amor.

 

  • O amor é o resumo da lei de Deus;
  • Deus age conosco em amor;
  • Entre os dons espirituais, o amor é o dom supremo (1Co 13);
  • O amor, no caso dos cristãos, é um fruto da fé;
  • O amor também é algo ontológico ao ser humano, que foi criado com amor;
  • O amor é inclusivo… ele é, portanto, o antídoto para a competição exclusiva e para conceitos darwinistas de sobrevivência apenas dos mais fortes;
  • O amor está acima da razão humana, da lógica. O amor faz com que nos doemos, quando a lógica nos manda ser egoístas;
  • O amor está em harmonia com a lógica divina de doação e cuidado, mesmo para com quem não merece;
  • O amor é o combustível para buscarmos soluções de preservação ambiental e de defesa das minorias;
  • No caso dos cristãos, o amor deve ser o norteador de nossa ética;
  • O amor sempre se constrói através do próprio amor, nunca pela imposição;
  • O amor estabelece a “justa medida” – o “meio do pêndulo”, o equilíbrio;

 

Nós cristãos amamos porque Deus nos amou primeiro. Vivemos em amor… um amor que procede de Deus. Nosso testemunho das obras de Deus sempre estão acompanhados do amor de Deus que transborda por nosso intermédio.

Podemos ir além… podemos incitar o mundo a amar através de uma nova hermenêutica baseada no amor. Para isto precisamos não só convencer as pessoas da importância do amor através de nossas palavras e atos, mas precisamos também pensar em dispositivos de recompensa para aqueles que exteriorizam o amor. O mundo é egoísta e exclusivo pelo fato de existirem dispositivos de recompensa para pessoas que vencem e não para pessoas que amam. E estes dispositivos foram criados pelo fato dos seres humanos serem pecadores.

Deus criou as autoridades civis para que mesmo as pessoas que não são cristãs vivam de acordo com princípios elementares de sua vontade. Sendo a vontade de Deus resumida pelo próprio Senhor Jesus como o amor, não é errado, antes é salutar, incutirmos nos cidadãos em geral o valor e importância do amor, sem o qual é impossível viver.

 

Como fazer isto?

Que dispositivos de recompensa poderiam ser criados?

Vale a pena defender a utopia do amor como hermenêutica de nossa vida e ética?

 

Com a palavra… vocês que justificam a existência deste Blog.

 

Um grande abraço,

PE


Responses

  1. Vou aproveitar essa última parte para fazer uma reflexão na contramão do que coloca o pastor Elvis, na contramão inclusive de parte de nossos objetivos no fome29:

    E essa reflexão só me ocorreu por causa da seguinte frase no texto: “podemos incitar o mundo a amar através de uma nova hermenêutica baseada no amor”.

    Pensei diferente. Pensei que só realmente podemos incitar o mundo a amar através de uma hermenêutica baseada em Jesus como a personificação do amor. Do contrário, ainda que possamos criar dispositivos de recompensa para pessoas que amam, estaremos condenando essas pessoas a pensarem como o irmão mais velho do filho pródigo:

    – pessoas acham que merecem a herança do pai porque são obedientes, corretas, e amam.

    Nenhuma lei traz salvação, nem mesmo a lei do amor. E quando incentivamos com prêmios e com dispositivos que pessoas obedeçam a lei do amor e a pratiquem, penso que estamos criando fariseus apenas.

    Por isso, imagino que a utopia do amor só funciona espelhada em Cristo – não como exemplo de amor a ser seguido pelas pessoas – mas como autoridade do coração daquele que ama… pois quem ama como em “1 Coríntios 13”, ama sem pré-condição, sem qualquer incentivo ou dispositivo. O restante são obras da lei… obras de condenação.

    De certa forma, não há problema nisso no sentido de que é a forma como o mundo funciona: idolatrando a si próprio ou a outras coisas que não Deus, se achando justo, buscando salvação em si. Justamente por isso nossa missão vai além de incentivar obras da lei… por isso nossa missão é pregar.

    Alguém concorda com essas reflexões?
    é possível conciliar essas idéias com o desafio do pastor Elvis? Alguma idéia?

    … para finalizar essa reflexão, eu queria emendar ainda a seguinte idéia: talvez quem justifique a existência desse blog não sejam aquelas pessoas que o lêem com frequência, mas justamente o contrário. Aquelas que ainda não o lêem, que ainda não conhecem as idéias que andam por aqui, aquelas que precisam dessas discussões pois andam discutindo demais o que rola no BBB9.

  2. Gostaria de ouvir mais reações sobre esta questão… enquanto isto, aproveito para escrever alguma coisa.

    Qual é nossa função como sacerdotes reais, que foram perdoados por Cristo, salvos para a vida eterna?
    Testemunhar as obras de nosso Senhor Jesus.

    Como fazemos isto?
    Falando e vivendo no amor e com o amor que procede de nosso Deus.

    Se invertermos esta ordem teremos um farisaísmo, sinergismo, hipocrisia e outros adjetivos que expressam a falta de fé e a tentativa de se auto justificar por obras.
    Se as obras humanas tentam entrar na justificação elas expulsam, inevitavelmente, a obra de Cristo e, consequentemente, levam a pessoa a condenação eterna, pois ninguém é justo diante de Deus por suas próprias obras.
    Quando a pessoa é convencida pela lei de sua real situação de pecadora e quando o evangelho toca o seu coração e o Espírito Santo cria na pessoa o desejo e a confiança na obra redentora de Jesus como sua única alternativa para a salvação, então, entendemos que esta pessoa possui fé e é salva. Esta fé que se apega a obra de Cristo é a mesma fé que produz frutos como o sincero desejo de corrigir a vida pecaminosa e viver em amor.

    Agora, falemos de nosso papel como cidadãos.
    Continuaremos sendo cristãos.
    Continuaremos testemunhando Cristo.
    Continuaremos esperando que o amor seja um fruto da fé.
    Mas, a sociedade é composta tanto por cristãos como não cristãos.
    O que fazer com os não cristãos?
    Alguém responderá: devemos testemunhar o amor de Deus em Cristo Jesus para estas pessoas.
    Boa resposta, mas, do ponto de vista social, o que fazer com as pessoas que ainda não são cristãs e não possuem nenhuma motivação para viverem de acordo com a vontade de Deus a não ser uma leve e vaga compreensão da lei original que pouco sobrou em seu coração?
    Foi pensando principalmente nelas que Deus criou as autoridades seculares que sequer necessitam ser compostas por cristãos.
    Estas autoridades estabelecem leis e punições para o descumprimento das mesmas.
    Que tipo de leis queremos?
    Aqui entra a minha proposta… leis baseadas no amor. Mas, para que isto dê certo é necessário que se crie dispositivos de recompensa e também punições para quem transgride estas leis. Vejam que a proposta se dirige aos não cristãos e está dissociada com a justificação e a santificação que se dirigem aos cristãos.
    Estes não cristãos serão alvos do testemunho cristão independentemente do tipo de leis, recompensas e punições que existam na sociedade.

    Talvez alguém ainda diga: E o que nós cristãos temos que ver com o tipo de leis e estruturas sociais possíveis?
    Eu digo que nós somos cidadãos e, portanto, é nosso interesse, sim, as questões políticas. Não como Igreja… mas, como indivíduos que fazem parte da sociedade.

    A idéia não é misturar os “dois reinos” (expressão que a partir de 1930 ganhou peso na teologia luterana para referir-se a dicotomia entre estado e Igreja). A idéia é reforçar o propósito original para o qual o estado trabalha – combater o mal e recompensar o bem.
    Cito o teólogo luterano Schünemann:
    “(Igreja e estado) servem a dimensões diferentes da vida e das relações humanas, empregando meios diferentes, mas estando sempre orientadas para a mesma finalidade: combater o mal em benefício do homem, tendo em vista igualmente o fim último, o reino de Deus.” (SCHÜNEMANN, Rolf. Do Gueto à Participação; O surgimento da consciência sócio-política na IECLB entre 1960 e 1975. São Leopoldo: IEPG (EST); Sinodal, 1992. v.2. p.135.)

    Aos que pensam em conciliação de idéias… espero ter contribuído.

    Um grande abraço,
    PE

  3. Ao que tudo indica, pastor Elvis, você respondeu a questão toda. Matou a charada!

    Como eu disse na introdução do meu comentário, se a reflexão que eu apresentei fosse conciliatória ou demolisse o que você disse, nós não incentivaríamos grupos do fome29 e pessoas a agir em favor dos mais fracos na sociedade através do nosso blog… simplesmente pelo medo de estarmos criando fariseus e mais nada.

    Mas isso não diminui a questão.
    Por isso vou aproveitar o ensejo para reapresentar o dilema de outra forma, e depois, quem sabe, em outro comentário, eu entro no desafio do pastor Evlis de cabeça… rs.

    Somos ensinados desde pequenos a agir por recompensa ou com mecanismos legalistas e farisaicos. Mesmos as famílias cristãs educam através do medo ou do orgulho. E não falo de medo no sentido de temer a Deus.

    Vejamos algumas formulações que ouço:
    – “não faça isso ou seu pai vai ficar muito bravo” – medo;
    – “cuidado ou você vai se dar mal, o bicho, a cuca, o ‘véio do saco’, ou até mesmo deus e o diabo vem te pegar” – medo;
    – “você não quer fazer isso, não? Afinal, você não é como essas meninas que fazem fofoca e ficam falando mal dos outros” – orgulho;
    – “roubar e mentir é coisa de vagabundo safado e você não é assim, é? Você é um bom menino, um menino inteligente” – orgulho.

    Minha vó tinha uma frase que durante muito tempo interpretei pelo avesso, pois ela despertava em mim orgulho. Ela dizia com toda a boa intenção de uma avó amorosa quando eu estava brigando com meu irmão: “o mais inteligente não briga”.

    Várias vezes lembrava dessa frase quando uma briga estava para começar, e dizia ao meu irmão: “o mais inteligente não briga”.

    Acontece que eu falava isso de forma altiva, com o queixo levantado, com ar de superioridade… e lembro bem que o mecanismo era inverso, pois eu só sentia que estava ficando mais inteligente depois de conseguir evitar a briga. Ou seja, minha interpretação “burra” e orgulhosa era: “fica mais inteligente quem consegue não brigar”.

    Na prática, cada uma dessas frases muitas vezes funcionam. Mas a cultura do medo e do orgulho não educa… apenas nos transforma em escravos da Lei.

    Falei que havia um dilema.
    Alguém já percebeu qual é?

    Se são obras produzidas por uma educação farisaica ou por uma educação amorosa, o resultado final é o mesmo em termos de escravidão.

    Por causa desse dilema algumas perguntas que me ocorreram, ente elas:
    – com que espada o estado recompensaria o bem? Não é a espada apenas para combater o mal?

    Como já coloquei, o dilema contém a resposta em si mesmo… ou seja, não podemos evitar que haja escravidão nas obras cuja motivação não seja Jesus. Por orgulho, por medo ou por amor… dá na mesma… no sentido de salvação e escravidão para com o pecado.

    Mas, sem dúvida, quando incentivamos uma “corrente do bem” cujo interesse é o próximo, ainda que no âmbito da salvação estejamos produzindo os mesmos escravos, estamos também fazendo a diferença no âmbito da redução da fome, da miséria, das diferenças sociais, entre outras coisas.

    … finalmente cheguei nas três perguntas do pastor Elvis. Algumas respostas temos até no blog do fome29… outras, vou deixar para comentar em outro momento. Mas eu prometo deixar tempo e espaço para a participação de outros agora.

    .el.

  4. Olá a todos. Creio que cheguei neste debate meio como que o apóstolo Paulo, fora do tempo. Tive conhecimento deste site no dia de hoje graças a um colega de seminário meu, que me mostrou a possibilidade de encontrar peças de teatro por aqui. Atualmente sou estagiário na cidade de João Pessoa – PB.

    Bem, o assunto da ética é algo sempre muito presente em nossas vidas, como vimos colocado em toda essa discussão.

    Enquanto lia a discussão me lembrava de uma parábola de Jesus Cristo em Lc 12.13-21. Um homem vem até Jesus e pede que ele faça justiça entre ele e seu irmão. Então este homem recebe uma resposta que qualquer um poderia considerar escandalosa. Sua resposta quer dizer que ele não estava ali para repatrir bens entre ninguém! Sendo um mestre (rabi) Jesus teria autoridade para tanto. Então a pergunta que fica é: Por que Jesus se nega a ouvir esse pedido de justiça.

    O problema de terra sempre foi algo acentuado no Oriente Médio (do que ainda somos testemunhas). Neste momento é entregado a Jesus a autoridade de resolver o problema de terra entre dois irmãos e ele se nega.

    Por mais que isso pareça injusto, precisamos perguntar a Jesus por que ele faz isso.

    A herança, ou o dinheiro e bens como um todo sempre foram motivos para divisões e problemas. Não raro se percebe na história como grupos lutam pelos seus interesses e, tendo-o alcançado, simplesmente deixam de lutar, a não ser pelos seu próprios interesses. Exemplo disso vemos na classe burguesa (salvo exceções). Tampouco o socialismo escapa desta avaliação.

    Enquanto o mundo procura algo em que possam ter a vida abundante, Jesus tira de foco a riqueza, a fama, o orgulho e aponta para Deus!

    Deus, sim, o único de quem vem todo o bem para a nossa vida! (Tg 1.17; cf. Ex 20.2-6 e explicação do primeiro Mandamento segundo o doutor Martinho Lutero no Catecismo Menor e Maior) A nossa vida abundante não está em riquezas, orgulho, ou qualquer outro bem. Ela está em Deus! É isso o que Jesus quer mostrar.

    O fim da parábola mostra o fim trágico daquele homem rico que só pensou em ajuntar tesouros. Quando ele pensava ter tudo, sem que ele esperasse, tudo lhe foi requerido, até mesmo a sua alma.

    Mais um detalhe. Além de perder tudo, este rico insensato acabou sozinho! Sim, sozinho. E como é triste a vida daquele que acaba sozinho ou à companhia daqueles que torcem pela sua morte à espera de receber os seus bens.

    É isso o que Jesus está dizendo. Ele não está indo contra a justiça social. Jamais! Mas ele está enfatizando algo muito importante: Melhor do que ter a justiça social é que vivam bem os irmãos. Isso nos lembra o Salmo 133: “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos”

    Poderíamos atualizar esta frase em forma de oração e pedido a Deus: “Oh! Como e agradável viverem unidos os palestinos e israelitas”. “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os ricos e os pobres”. “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os brasileiros e o argentinos” …

    A reconciliação não vem de um sistema político, de leis, de divisões de terra. A reconciliação vem de Jesus Cristo, unicamente.

    Que Cristo seja o nosso reconciliador e nos faça olhar com crinho para aqueles que precisam!

    A Deus seja a glória hoje e sempre!

  5. obrigada por me dar uma noite agradavel abencoada pelas palavras do amor de deus pela humanidade

  6. adorei amiga


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