Publicado por: jerritomm | 4 maio, 2009

A nossa identidade é Jesus

João 14.6 – Jesus respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém pode chegar até o Pai a não ser por mim.

Este texto é uma tentativa de resumo parafraseado do sermão do pastor Laudir França da Rosa da Igreja Luterana de Palmas/TO, pregado no nosso último culto Jovem a pedido do grupo jovem, tendo como base o seguinte problema: porque para nós luteranos é mais fácil dar testemunho da nossa igreja do que de Jesus; porque em nossas conversas falamos sobre administração, usos e costumes, corpo doutrinário, história da igreja e não sobre o que Jesus fez e significa para cada um de nós; enfim, porque refletimos igreja e não Jesus.

O pastor Laudir começou analisando passagens do antigo testamento onde Deus critica o cerimonial israelita de culto e sacrifícios, que o próprio Deus havia instituído. A crítica deu-se porque o povo já não colocava o coração nessas ações, mas fazia por causa do costume. Os israelitas passaram a crer que o simples realizar dessas cerimônias era o suficiente para agradar a Deus.

No novo testamento essa situação fica mais evidente. É bem provável que nesse período tenha sido o ápice do desenvolvimento teológico da religião judaica, com escribas e estudiosos fariseus com profundo conhecimento das escrituras, além do serviço sacerdotal funcionando a todo o vapor. Porém, apesar de toda essa excelência não foram capazes de reconhecer Deus quando esteve no meio deles.

No momento seguinte do sermão, o pastor Laudir citou alguns pontos que caracterizam a nossa igreja e que nós nos orgulhamos. O pastor disse mais ou menos o seguinte, que a nossa identidade não se baseia no Livro de Concórdia, na doutrina do batismo, na doutrina da santa ceia, no nosso culto litúrgico tradicional ou mais moderninho, no hinário luterano ou nas músicas de bandas evangélicas mais divulgadas, no órgão ou na bateria, na nossa liberdade em relação a roupas, bebidas e festas, enfim, nossa identidade não são essas coisas.

A nossa identidade se baseia em Jesus Cristo, por meio de quem todas as coisas foram feitas, inclusive nós. E quando jogamos fora o presente da vida que nos foi dado, foi Ele que o retomou para nós deixando a majestade e a glória do trono celeste para habitar entre os homens como um homem, mas não só isso, Ele cumpriu tudo o que nós deveríamos cumprir e pagou o preço que nós deveríamos pagar. Ou seja, existimos por causa dele e temos a salvação por causa dele. Como disse o pastor, a Igreja não tem filhos, só o Pai os tem por causa do Filho, que é Jesus Cristo.

O que quero com esse resumo não é que joguemos fora a nossa “luteranidade”. Mas jamais devemos esquecer que ser luterano baseia-se em Cristo e que toda a expressão luterana deve mostrar Jesus Cristo. Nada pode ser colocado na frente dele, nem nossas doutrinas e nem nossa forma de cultuar, porque se for colocado perde o seu valor. Ninguém é salvo por causa da Igreja, mas por causa de Jesus. A Igreja – a comunhão dos Santos – a nossa comunhão tem como função dar testemunho do salvador. Por isso, a nossa identidade deve sempre ser Jesus Cristo, e é dele que devemos dar testemunho.

Esta foi minha tentativa de resumo, não tão inspirado como o sermão do pastor Laudir, mas que pelo menos para mim toca bastante forte numa dificuldade que vejo, tanto em mim como nos demais luteranos. Espero que essa reflexão possa nos ajudar.


Responses

  1. Gostei do resumo e da crítica!

    Concordo com as colocações e lembro algumas outras:

    – somos a igreja que prega a “doutrina pura” – repetem muitos. No entanto, meus conceitos e preconceitos me dizem que a grande maioria dos leigos usa essa expressão de forma arrogante pois não sabem que nossa doutrina só é pura quando reflete Cristo e a vontade de Deus. Somos tão arrogantes com nossa “doutrina pura” que mal sabemos dialogar com outras igrejas;

    – sobre a pergunta fundamental, apesar de existirem diversos motivos, acredito que a maior parte do problema se divide em duas razões fundamentais:

    Razão 1: nossa cadeia de ensino e discipulado é extremamente falha e calcada no aprendizado do “luteranismo”, de nossas doutrinas e de como somos mais corretos do que todas as outras igrejas. Isso nos leva desde cedo a decorar ou conhecer nossa doutrina mas não sabemos defender biblicamente praticamente nenhuma delas.

    Razão 2: em conexão ainda com a primeira “razão”, acrescento ainda a observação de que é mais fácil falar sobre o que dominamos. Precisamos nos perguntar: porque sabemos tão bem o que o pastor disse, algumas doutrinas, e alguma coisa sobre nossa igreja, mas quase nada sobre a bíblia e sobre Jesus?

    Razão oculta: não mencionei um terceira razão mas quero finalizar com essa colocação. Acho que falamos menos sobre Jesus e sobre a Bíblia como palavra de Deus, também porque não sabemos como defender nossa fé diante das filosofias do mundo relativista e cético de hoje. Se o miguel me permitir, em algum momento quero escrever algumas idéias sobre isso para essa coluna.

    .abraços.
    .el.

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  2. Olá!
    com certeza nossa identidade é Jesus.
    Nós somos luteranos por que confessamos e cremos que na igreja luterana a palavra de Deus é pregada clara e em pureza.
    Nós frequentamos e participamos das atividades da Igreja por que necessitamos de nos abastecer com a palavra de Deus, receber perdão de nossos pecados e fortalecimento de nossa fé, por isso ser luteranos.
    Mas nunca devemos esquecer que Cristo é o fundamento de nossas vidas, igreja é o lugar onde podemos ser fundamentados naquele que é o fundamento…

    Obrigado por trazeres esta reflexão..

    Abração!!!!!!!

  3. Ótima reflexão Jerri… e ótimos lembretes Rahel…

    Ainda é difícil admitirmos que temos sido falhos em demonstrar qual é a nossa verdadeira identidade…
    Na verdade, “pra desencargo de consciência”, não somos só nós, Cristãos Luteranos, que abandonamos/trocamos o que deveria der nosso principal discurso…
    O mundo vive hoje uma “crise de identidade religiosa”, onde todos (todos os que AINDA se arriscam a admitir que pertecem à alguma igreja) precisam mostrar para a sociedade que fazem parte de uma dada denominação religiosa, e quanto maior e melhor a “reputação” (digo em termo de nº d membros, de grandeza material, ou mesmo no nosso caso – a tradição histórica) dessa religião, mais importância dão a vc nesse meio…
    Na cidade em que vivo, posso garantir… ser luterana não me dá renome coisa nenhuma, às vezes quando alguém me pergunta de que igreja sou e eu respondo com o nome da igreja, a pessoa diz: que igreja é essa? Não conheço… (já q as igrejas q stão “na moda jovem” aki são a Nova Aliança, a Nova Vida, a Bléia…)!
    O que quero dizer com isso, é que as pessoas não ligam mais se vc é um Cristão (seguidor e anunciante de Jesus…) ou não, elas querem saber a tua religião! Deixo claro aqui que não estou defendendo que devemos sempre falar da nossa denominação. Só deixar um questionamento: será que entramos na “onda” da religiosidade e nos atemos d+ a discutir qual é a melhor igreja e insistimos em responder
    às perguntas, como a que citei acima, sempre citando a nossa denominação???
    Já pensou se todos respondessem: Sou apenas um servo a serviço do meu Senhor Jesus, chamado por ele para pregar o evangelho da salvação a todos os povos…???
    Gente, incrível como temas como esse rendem, e a gent nunca fala(escreve) tudo que dá p comentar…
    Espero que todo nós, jovens que por aqui passamos, possamos passar a falar mais de Jesus e seu amor às pessoas!
    Graça e paz de Cristo sejam convosco!

  4. Pois é Jaquelyne,

    Eu não sei dizer se entramos na onde da religiosidade… mas me ocorre que nosso coração tem uma tendência muito grande em ser “religioso” apenas e querer comprar a Deus com as nossas atitudes.

    Assim, quando duvidamos da fé de outras pessoas, seja em outras denominações cristãs seja de membros que consideramos mais religiosos do nós somos, podemos incorrer no erro de nos acharmos melhores ou menos religiosos. No fim, somo um dos dois irmãos “pródigos”:

    – o que anda fugindo de casa e gastando a herança do Pai, e que volta de joelhos, arrependido;

    – ou o que fica em casa, fazendo pose de bonitinho, achando que merece a herança do Pai, mas quando vê o irmão arrependido logo quer avançar sobre a herança agarrá-la e dizendo “usa herança é toda minha, você não pode receber esse cara de volta”.

    Eu costumo me apresentar como cristão luterano porque são duas palavras que ajudam a me definir e diferenciar a forma como compreendo a Bíblia. Cristo me define e eu compreendo a graça de Deus de acordo com a visão luterana (sem sinergismos, sem qualquer obra ou esforço de nossa parte); sou evangélico luterano e portanto o Evangelho como conheço não é obra que se manifesta me trazendo prosperidade como algumas igrejas pregam ou enfatizam; entendo que Igreja e Estado são coisas distintas, se homossexuais querem casar, que casem, pois casamento na visão luterana é coisa do estado; da mesma forma, como luterano, eu não exijo que o homossexual mude de vida para então poder participar da igreja como se ele precisasse merecer essa igreja e Cristo… e assim, por diante.

    Dizer que sou Cristão não é uma religião mas uma identidade. E dizer que sou luterano pode permitir que muita gente conheça a minha fé e a minha visão sobre o mundo segundo a abordagem luterana… apesar de que hoje em dia, poucos luteranos, e não-luteranos sabem o que significa ser luterano.

  5. Oi Jaquelyne e Rahel, gostei muito das reflexões de vcs.
    Realmente ser Luterano não está na moda, nossas canções não são as mais vendidas, nem as camisetas com a cruz da IELB estão sendo vestidas por muita gente, mas como o Rahel disse ser cristão luterano ou evangélico luterano é uma identidade muito importante. Mas precisamos saber e viver o que realmente significam esses termos, porque apenas como termos são coisas vazias. Recebemos uma grande herança, a primeira é a cristã, é Cristo,é a salvação, é a Bíblia e a segunda é a reforma Luterana, que é o redescobrimento dessa verdade, do posicionamento firme diante da verdade. Essa é uma boa herança, vamos aproveitá-la.


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