Publicado por: jerritomm | 1 junho, 2009

Juventude que se perde

Eclesiastes 11.9: “Jovem, aproveite a sua mocidade e seja feliz enquanto é moço. Faça tudo o que quiser e siga os desejos do seu coração. Mas lembre de uma coisa: Deus o julgará por tudo o que você fizer.”

Em uma ou duas confirmações o pastor da igreja de Palmas contou uma história bem interessante. Contou que um pastor teve sua igreja infestada por morcegos e não conseguia se livrar deles. Fez de tudo, tentou todos os métodos. Primeiro tentou pacificamente capturá-los com redes para não os machucar, mas não deu certo. Tentou diversas coisas até que sua paciência já esgotava suas tratativas mais pacíficas e ele apelou para comida envenenada, e falhando essa tentou como última medida tiros de sua espingarda 22. Infelizmente nem isso deu certo e como resultado ficaram os morcegos e o teto da igreja todo furado. Contudo, ao contar sua história para um colega pastor numa reunião distrital, este falou que havia passado pela mesma situação, mas que havia resolvido o problema com facilidade. Ele reuniu os morcegos, os instruiu no catecismo e os confirmou. Desapareceram da igreja, só vinham em algumas ocasiões especiais como batizados e casamentos.

Como se diz, a história seria engraçada, se não fosse um pouco trágica. Os jovens parecem desaparecer da igreja. Sempre se vê muitas crianças nos cultos, nas escolas bíblicas, mas ao chegar à adolescência muitos deixam a igreja. Uma vez alguém perguntou se todos os jovens com quem fomos confirmados ainda estavam na igreja. Viu-se que muitos não estavam mais. Por que será que isso acontece? O que faz o jovem afastar-se da igreja e ir em outra direção?

Podemos citar como causa para esse problema a falta de fé desses jovens, falta de perseverança, desamor a Deus. Essas respostas podem estar corretas, mas quero destacar outra coisa. A adolescência é uma fase de descoberta, de busca de experiência, de testar limites e de consolidar identidade e independência. E todas essas coisas nos lançam para o contato com o mundo, com pessoas, onde estabelecemos relações. Como jovens nessas relações não queremos estar fora do grupo e muitas vezes achamos que para ser parte do grupo precisamos agir como o grupo age. Temos que ser iguais porque senão seremos excluídos, “tirarão sarro da nossa cara” e coisas do gênero. E nessa busca de identidade acabamos nos tornando mais identificados com o mundo e suas maneiras do que com a igreja e suas crenças. Muitas vezes estar em um grupo nos exige uma força de personalidade que ainda não temos e acabamos fazendo o que o grupo quer, pequenos pecados, pequenos agitos, pequenos comportamentos que passam longe do comportamento “regrado” e de testemunho que a igreja nos pede. E assim, muitos jovens, deixam a “chatice” da igreja e ao mundo se vão, já que não conseguem se identificar com duas coisas ao mesmo tempo, com a igreja e com o mundo. E assim, os morcegos se vão.

E agora, o que aprendemos com isso. Ah sim, entendemos “como” nossos colegas de confirmação e escolinha bíblica se afastaram da igreja. Acho que não. Aprendemos que temos que ter cuidado conosco mesmo, com os nossos sentimentos, com nossa identidade. Porque desejamos sim fazer parte de um grupo na escola, na faculdade, no trabalho. Na verdade precisamos de grupos. A pergunta que precisamos fazer é: nós influenciaremos o grupo com nosso testemunho de fé, ou seremos levados pelo testemunho do mundo de viver uma vida de prazeres regrados pela ótica do pecado?

Precisamos ser morcegos que sempre voltam a igreja, mesmo depois de confirmados, certos de que não precisamos abrir mão de nada do que somos para integrar grupos, nem fazer coisas que vão contra a nossa fé. Isso precisa estar forte em nossas vidas e fazer parte de nossa personalidade de tal forma que sejamos nós a influenciar positivamente as pessoas e não as pessoas nos influenciar negativamente. Isso é difícil, e como é difícil!, mas nosso Deus sempre está conosco, nos ajuda e também nos perdoa quando não conseguimos. Que ele fortaleça a nossa personalidade de morcegos que ficam na igreja e seguem o Senhor.


Responses

  1. oLá!!!

    Realmente esta é uma dura realidade, eu conheço vários amigos que se comportam como MORCEGOS de festas e ocasiões de natal!

    Já participei de grupos de jovens onde a dificuldade de se formar um grupo é muito dificil, mas se há um grupo as coisas começam a melhorar.

    O que eu quero dizer aqui, é que nós como jovens precisamos de amigos, precisamos de grupos, e, se na igreja não temos um grupo, vamos procurar fora. O que precisamos então é criar laços de amizades com os jovens da Igreja, montar um grupo para além de estudar a palavra de Deus, sair, passear, ia ao cinema, ou apenas jogar conversa fora.

    Acredito que só a partir do momento que pensarmos assim podemos mudar esta realidade de ter morcegos na igreja!

    Abração a todos!

  2. Me parece que essa reflexão está principalmente calcada sobre uma palavra e um conceito:

    – formação de identidade.

    Se minha identidade está formada ou se formando sobre um rocha sólida, Cristo, a Palavra de Deus, não preciso de nenhum outro grupo para formá-la ou seguir conformando minha identidade.

    Aliás, com uma identidade assim, formada e conformada em Jesus, eu tenho até forças para estar nos mais variados grupos e ainda influenciá-los positivamente e não me deixar influenciar negativamente.

    Não apenas isso, mas quando tenho Cristo me formando e me dizendo que onde dois ou três estiverem reunidos em nome dele, ali ele estará presente, não vou me esquecer de continuar em comunhão com a Palavra e com o grupo da igreja. Não porque o grupo da igreja é melhor e mais santo, mas justamente o contrário;no grupo da igreja encontro pessoas que entendem a necessidade do perdão e sabem que não preciso ser perfeito como em outros grupos…

    … na UJ posso encontrar pessoas que anunciam o perdão de Deus para mim quando me esqueço dele. E assim volto a ter minha identidade fortalecida para seguir nos outros grupos que Deus mesmo me pede para frequentar em amor e por amor da missão que ele me confiou: fazer novos discípulos.

    Escrevi algo sobre isso juntamente com o Joso para um reflexão na comunidade da Ilha. Quem quiser ler um pouco mais e tiver paciência, acessa o link abaixo:

    http://docs.google.com/View?id=d3swzsw_84c4h9mkf2

    .el.

  3. Olá
    Gostei muito do que disse Marlus, era onde esse o ponto onde queria chegar, que na igreja temos a oportunidade de grupos que podem ter em comum não só a fé mas também a amizade, os interesses diversos, recreações, enfim, relações bastante positivas que podem nos fortalecer enquanto pessoas cristãs e que tem um lugar e amigos que compartilham e vivem situações de vida como a nossa, mas sem esquecer que vivemos no mundo e que por causa dele ainda estamos aqui, senão, quando convertidos Deus já nos levaria pro céu.
    Rahel, gostei também quando coloca que a rocha sólida da nossa identidade deve ser Jesus, isso é o principal. Mas como está no texto que vc sugeriu para ler citando Paulo, somos fracos e o bem que desejamos não fazemos, mas sim o mal. Entendo a nossa natureza como algo confusamente complexo, as respostas para os problemas que parecem ser simples e fáceis de se intender, se tornam bastante difíceis na prática da vida, falo isso por experiência própria, nossos sentimentos e formas de agir e perceber as coisas confundem tudo, e quando vemos estamos nos afantando de Deus no dia seguinte ao que o estávamos louvando entusiamadamente.
    Em suma, somos um bocado complicados. O bom é que Cristo é nossa rocha e é ele que literalmente nos salva de nós mesmos.
    Gostei muito das respostas de vcs, Marlus e Rahel!

  4. Jerri,

    Realmente Paulo parece quase depressivo no texto, mas não vamos nos enganar… suas palavras ao final demonstram como está forjada a identidade dele: “Que Deus seja louvado, pois ele fará isso por meio do nosso Senhor Jesus Cristo!”

    “Fará isso” se refere a livrá-lo desse corpo morto.

    Em Gálatas Paulo nos lembra que morremos com Cristo.

    Paulo me parece deixar claro em seus textos que, assim como pelas pisaduras de Jesus fomos sarados, é na nossa fraqueza e por causa dela que Deus se manifesta em nós… “Porque, quando perco toda a minha força, então tenho a força de Cristo em mim.” – diz Paulo em “2 Coríntios 12.9”.

    Sim, somos complexos… mas veja que interessante, com esses textos bíblicos compreendemos como nossa complexidade pode nos fazer reconhecer nossa dependência de Deus e da Igreja… mais uma vez, não porque na igreja as pessoas são melhores, mas justamente o contrário, porque ali podemos reconhecer nossas fraquezas e justamente por causa delas então temos a força de Cristo em nós, através do seu perdão em especial… na comunhão da Ceia, na Palavra.

    Disso partem laços ainda mais fortes de amizade, interesses, respeito, que nos levam a momentos de recreação e diversão também… sem dúvida.

    .el.


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