Publicado por: jerritomm | 4 agosto, 2009

Pecado, será que é ruim?

Salmos 51.4-7: “Contra ti eu pequei – somente contra ti – e fiz o que detestas. Tu tens razão quando me condenas. De fato, tenho sido mau desde que nasci; tenho sido pecador desde o dia em que fui concebido. O que tu queres é um coração sincero; enche o meu coração com a tua sabedoria. Tira de mim o meu pecado, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais branco do que a neve.”

Salmos 32.5: “Então eu confessei o meu pecado e não escondi a minha maldade. Resolvi confessar tudo a ti, e tu perdoaste todos os meus pecados.”

Faz algum tempo que queria escrever sobre esse tema e muitas coisas passaram em minha mente para escrever. E hoje, decidido peguei a Bíblia e me veio a mente essas passagens citadas acima e ao encontrá-las, quase fiquei sem saber o que dizer além do que elas dizem, pois já falam tudo e melhor do que eu tinha proposto a escrever. Mas como todo mundo que fala isso na verdade quer dizer um monte de coisa, acho que vem um comprido texto por aí.

O que me moveu a querer escrever sobre esse tema foram duas coisas: 1- Precisamos saber lidar com o pecado, porque inevitavelmente pecamos e isso é fato; 2- Pecado é pecado, não importa que todo mundo esteja fazendo algo, se é errado, é errado.

Quando digo que precisamos saber lidar com o pecado é porque todos os dias nós os cometemos conscientemente ou não, uns com maior repercussão e outros que ninguém percebe. E isso nos acompanhará por toda a vida. Em tempos antigos havia uma discussão que se resumia em duas frases em latim que direi em português porque não as sei em latim: posso não pecar e não posso não pecar. Essas duas vertentes discutiam se nós poderíamos escolher não pecar e assim não pecar, ou se não, mesmo que nós tomarmos a decisão de que de agora em diante não vamos pecar, nós não conseguiríamos fazer isso. Bom, como luteranos nós teologicamente chegamos a conclusão que a segunda é que é a verdadeira, mesmo que queiramos não pecar nós pecamos, baseados nas palavras de Paulo aos Romanos 7.19: “Pois não faço o bem que quero, mas justamente o mal que não quero fazer é que eu faço.” Bom, com isso dito, e agora, o que fazer, se não podemos não pecar, devemos escolher pecar?

Antes de responder a esta questão, gostaria de discutir um pouco sobre o ponto 2 – os pecados que todo mundo comete. Nossa, como é doce o sabor de uma fofoca, “não, isso não é fofoca, só estamos discutindo sobre este tema, que no caso é fulano de tal”, ou uma conversa bem safada como é costume dos colegas masculinos, ou ainda uma mentirinha como daquelas que quando se é um vendedor parece ser inevitável, quase que faz parte do negócio, enfim, poderia citar outros pecados como “ler revistinhas de poucas palavras”, o costume de zuar com os amigos ou desafetos, hoje conhecido como booling, (não sei se é assim que se escreve). Enfim, os pecados são muitos e por vezes nós começamos a tirar a importância deles e dizemos, é só um pecadinho! Bom, alguém no passado pensou a mesma coisa, achou que era só uma frutinha, não teria mal algum e olhem agora, tudo de ruim que há no mundo, foi em virtude disso, alguém achou que era só um pecadinho inofensivo. Todo pecado é grave, todo pecado é uma afronta contra Deus, que disse que esse não era o caminho, que era para o outro lado, e toda vez que dizemos que um pecadinho não tem nada de mais, ou que em nossos tempos isso de pecado não existe mais, que é lorota de pastor, estamos afrontando Deus, chamando-o de algo muito ruim, que é melhor não dizer. O pecado é algo tão imensamente grave que ninguém menos que o próprio Deus teve que enfrentá-lo e fazer tudo que nós sabemos que ele fez. Então não brinquemos com isso, pecado é coisa séria.

E então, pecar ou não pecar, o que fazer? Bom, o apóstolo Paulo fala que nós cristãos temos duas naturezas, uma que nos empurra sempre para o pecado e uma que nos empurra para Deus. Mesmo que inevitavelmente, enquanto estivermos vivendo nesse mundo, vamos pecar, nunca devemos escolher ir por esse caminho, porque é um caminho que nos destrói, nos leva para um lugar bem ruim, mas devemos sempre querer, desejar, buscar andar pelo caminho de nossa nova natureza, daquela que nos move para Deus e fortalecê-la sempre. Como? Comece se arrependendo, os versículos acima dão a dica, confesse tudo a Deus, não esconda nada, e ele que venceu o pecado vai te tornar mais branco do que a neve, puro e limpo. Essa não é uma luta para se lutar sozinho, é uma luta que nós vencemos quando Deus vence em nós. Esse é o caminho cristão, não escolha o pecado, mas se pecar e vai pecar, arrependa-se, não deixe se levar pelo que as pessoas dizem, mas escolha fazer a vontade de Deus e sempre terás mais força quando Deus tiver mais de ti.

Que o nosso Senhor Jesus, que venceu o pecado, nos ilumine com o Espírito Santo para que possamos vencer o pecado também em nossas vidas. Amém.


Responses

  1. “Senhor, o meu pecado teu sangue apagou. Uma nova vida me entreguou. O Teu poder transforma meu ser de Glória em Glória..
    Contigo eu fui Crucificado. Morreu meu velho homem escravo do pecado. E agora eu sou livre em Ti. Não mais eu, mas Cristo vive em mim.
    Eu nasci de novo, nasci de novo. Faz-me verm-me assim como sou: Uma nova criação eu sou”
    Parte da letra da música de André Valadão-Nasci de Novo

  2. Muito boa a letra Agnes, gostei!!!!

  3. “A tolerância é a melhor religião”, disse Vitor Hugo.

    Como cristãos-pecadores, simultaneamente santos e pecadores, acredito que temos uma grande tendência a intolerância. Intolerância de todo tipo:
    – não toleramos o pecado. Parabéns para nós!
    – mas não toleramos também invariavelmente o pecador.

    Um dos principais mecanismos dessa intolerância é nossa tendência de sermos nossos próprios salvadores – a nossa auto-justificação considerado por Lutero uma das piores pragas da igreja e basicamente o mecanismo pelo qual “mais” pecamos:

    1. queremos não pecar, algumas vezes por causa da natureza de Cristo em nós, um bom bocada de vezes, mesmo sem perceber, simplesmente para nos sentirmos mais merecedores da salvação;

    2. então passamos a ser vigilantes e procuramos nos afastar ao máximo de todo tipo de coisa que pode nos fazer pecar. Com o tempo, deixamos de conviver com pessoas ou grupos que complicam demais esse nosso objetivo;

    3. passamos então, por falta de convivência com “os pecadores” a caricaturizá-los e estigmatizá-los segundo “seus pecados”;

    4. finalmente, nos tornamos intlerantes com aqueles “pecadores”.

    Conheço ex-cristãos, amigos, que por causa dessa visão auto-justificante presente e muitas vezes pregada na igreja, que deixaram de ser cristãos justamente porque perceberam que estavam sendo intolerantes consigo mesmo e tornando a sua vida impossível, e uma vida de amargura.

    Qual a saída?

    A saída, engraçado, parece ser mais uma vez Cristo. Cristo tolera a nossa natureza que não consegue evitar pecar, compreende isso, sabe que não apenas por causa de Adão e Eva que pecamos, mas que se fôssemos Adão ou Eva faríamos a mesma coisa…

    … ele nos abraça e nos perdoa. Ele inclusive é força para que possamos nos arrepender. Ele morreu para nos perdoar inclusive das nossas tentivas desvairadas de auto-salvação.

    E por causa do perdão e tolerância que temos dele, podemos ser tolerantes e anunciar esse mesmo perdão e parar de tentar ser uma casta separada “dos pecadores”, pois estamos todos no mesmo barco.

    Pelo perdão e tolerância de Jesus sejamos nós também perdoadores, testemunhas desse perdão e tolerantes com aqueles que ainda não forma atingidos e modificados por essa graça.

    .el.

  4. Olá!
    Muito boa reflexão Rahel,
    É bem verdade que os cristãos se esquecem que Igreja além de ser a congregação dos santos, ela é uma congregação de pecadores, pessoas fracas e na sua fraqueza são fortalecidas por Deus. Na sociedade humana, gosta-se muito de formar grupos de pessoas elevadas, elíte, para se sentirem mais especiais do que os outros. Na igreja não há espaço para isso, ou melhor, como Jesus disse, maior será se mais servir os outros, e para isso exige-se humildade. E como luteranos, crentes que a salvação é pela fé, as obras são levadas como coisa de segunda grandeza, ou seja, servir os outros não nos é uma busca muito grande, mas deveria ser. O que quero dizer com isso, nossa natureza pecaminosa não nos admite nos sentirmos mais especiais do que os outros por sermos cristãos, ou por fazermos mais trabalhos na igreja. E Deus muitas vezes permite que as pessoas que se sentem mais especiais do que os outros levarem grandes tombos, Deus permite que estas pessoas caiam no pecado para que esse orgulho seja quebrado, para que a fé seja fortalecida e o fortalecimento da dependência de Deus seja restaurado, porque se naum for, o orgulho acaba tomando o espaço da fé, e achamos que o fato de sermos “especiais” somos dignos da salvação.
    É o grande perigo que está presente, contra o qual nós devemos lutar.
    Deus é a nossa salvação, nós apenas pecadores.


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